quarta-feira, 31 de julho de 2013

O meu amor.



E me beija com calma e fundo, até minh’alma se sentir beijada. O meu amor tem um jeito manso que é só seu, que rouba os meus sentidos, viola os meus ouvidos com tantos segredos lindos e indecentes. Depois brinca comigo, ri do meu umbigo e me crava os dentes. Eu sou sua menina, viu? E ele é o meu rapaz. Meu corpo é testemunha do bem que ele me faz.

(Chico Buarque)

segunda-feira, 29 de julho de 2013

E eu quero.


E eu quero brincar de esconde-esconde, te emprestar minhas roupas, dizer que amo seus sapatos, sentar na escada enquanto você toma banho, e massagear seu pescoço. E beijar seu rosto, segurar sua mão e sair p’ra andar. Não ligar quando você comer minha comida, e te encontrar numa lanchonete p’ra falar sobre o dia. Falar sobre o seu dia e rir da sua, sua paranóia. E te dar fitas que você não ouve, ver filmes ótimos, ver filmes horríveis. E te contar sobre o programa de TV que assisti na noite anterior e não rir das suas piadas. Te querer pela manhã, mas deixar você dormir mais um pouco. Te dizer o quanto adoro seus olhos, seus lábios, seu pescoço, seus peitos, sua bunda. Sentar na escada, fumando, até seus vizinhos chegarem em casa, sentar na escada, fumando, até você chegar em casa. Me preocupar quando você está atrasado, e me surpreender quando você chega cedo. E te dar girassóis e ir à sua festa e dançar. Me arrepender quando estou errado e feliz quando você me perdoa. Olhar suas fotos e querer ter te conhecido desde sempre. Ouvir sua voz no meu ouvido, sentir sua pele na minha pele, e ficar assustada quando você se irrita. Eu digo que você está linda, e te abraçar quando você estiver aflita, e te apoiar quando você estiver magoada, te querer quando te cheiro, e te irritar quando te toco e choramingar quando estou ao seu lado. E choramingar quando não estou. Debruçar-me no seu peito, te sufocar de noite e sentir frio quando você puxa o cobertor e sentir calor quando você não puxa. Me derreter quando você sorri, me desarmar quando você ri. Mas não entender como você pode achar que estou rejeitando você quando eu não estou te rejeitando, e pensar como você pôde pensar que eu te rejeitaria. E me perguntar quem você é, mas te aceitar do mesmo jeito. E te contar sobre o “tree angel”, “o menino da floresta encantada” que voou todo o oceano porque ele te amava. Comprar presentes que você não quer e devolvê-los de novo. E te pedir em casamento, e você dizer “não” de novo mas continuar pedindo, porque embora você ache que não era de verdade, sempre foi sério, desde a primeira vez que pedi. Ando pela cidade pensando. É vazio sem você mas eu quero o que você quiser e penso. Estou me perdendo, mas vou contar o pior de mim e tentar dar o melhor de mim porque você não merece nada menos que isso. Responder suas perguntas quando prefiro não responder, e dizer a verdade mesmo que eu não queira, e tentar ser honesto porque sei que você prefere. E achar que tudo acabou, espera só mais dez minutos antes de me tirar da sua vida. Esquecer quem eu sou. Tentar chegar mais perto de você, porque é lindo aprender a te conhecer e vale a pena o esforço. E falar mal alemão com você e falar hebraico pior ainda e fazer amor com você às três da manhã e de alguma forma de alguma forma de alguma forma expressar um pouco deste esmagador embaraçoso interminável excessivo insuportável incondicional envolvente enriquecedor-de-coração ampliador-de-mente progressivo infindável amor que eu sinto por você.

(Sarah Kane)

Vivo, cada dia.


"Vivo para florescer outros jardins e, sem perceber, o meu se abarrota de rosas e manacás. Vivo, cada dia, como se fosse cada dia. Nem o último nem o primeiro - O único."

(Pablo Neruda)

Amor que prende.

Amor que prende: aquele que deixa o outro livre pra ser quem ele realmente é.

(Fernanda Gaona)


O amor só é lindo, quando encontramos alguém que nos transforme 
no melhor que podemos ser.

(Mário Quintana)

Fora de mim.

O mundo não é justo. Ele te dá tudo. Menos tempo.

 (Paolla Milnyczul)


Decidi que não quero mais entender,
não quero mais encenar,
não quero mais que me expliquem essa bagunça,
já não preciso ser conduzida a nenhuma espécie de iluminação.
Atravessei paredes.
Estou do lado de fora.

(Martha Medeiros in Fora de mim)



domingo, 28 de julho de 2013

Clareza nos olhos.


Que eu tenha clareza nos olhos para enxergar quem merece ver 
a transparência da minha alma.

(Lavínia Lins)

Nada é definitivo.


Nada é tão definitivo assim e a gente nunca é, a gente está. (...) A gente vai experimentando aqui e acolá, vai sentindo o ritmo, o tempo, tendo cuidado com algumas coisas e desrespeitando as placas de aviso de perigo de outras. A gente cai, levanta, chora, celebra. A gente vive. A gente se conhece através das reações dos outros a nós mesmos. A gente se trabalha ou estagna, regride ou evolui.
A escolha é sempre nossa!


(Marla de Queiroz)

Lenda pessoal.


Então de que vale procurar? - perguntou ela.
- Não procuramos. Aceitamos, e então a vida passa a ser muito mais intensa e mais brilhante, porque entendemos que cada passo nosso, em todos os muitos da vida, tem um significado maior do que nós mesmos. Entendemos que, em algum lugar do tempo e do espaço, esta pergunta está respondida. Entendemos que existe um motivo para estarmos aqui, e isso basta.
"Mergulhamos da Noite Escura com fé, cumprimos o que os antigos alquimistas chamavam de Lenda Pessoal, e nos entregamos por inteiro a cada instante, sabendo que sempre existe uma Mão que nos guia: cabe a nós aceitá-la ou não."

(Paulo Coelho in Brida)

Mágica.


Porque o tempo tem esse poder de decantar as dores no lugar mais fundo do coração da gente. Não é mágica o nome disso? 

(Vanessa Leonardi)

Muito mais que raízes.


Eu quero uma licença de dormir,
perdão pra descansar horas a fio,
sem ao menos sonhar
a leve palha de um pequeno sonho.
Quero o que antes da vida
foi o sono profundo das espécies,
a graça de um estado.
Semente.
Muito mais que raízes.


(Adélia Prado)

Tem coisa que não volta.


Tem coisa que não volta, por mais que a gente queira. Você pode até tentar voltar o disco, repetir a música, insistir na letra, cantar o mesmo refrão por mil e um minutos, fechar os olhos. Tem sentimento que não volta. Mesmo que você se esforce, recorde, tente voltar à página, refrescar o coração. Alguns sentimentos são bem pontuais: chegam, esperam pra ver se devem ficar e decidem partir ou continuar. E a gente só tem que aprender a se conformar.

(Karina Gonçalves)

De todos os loucos do mundo ♫




“ De todos os loucos do mundo eu quis você, 
porque sua loucura parece um pouco com a minha. ” 

Clarice Falcão

E acredito.



No fundo, alguma coisa me diz que vai dar tudo certo. Que os caminhos são tortos mas a chegada é certa. Que há coisas bonitas esperando lá na frente, se a gente acredita. E eu acredito! Vivo de acreditar. E acredito, que o que importa mesmo, não são as pedras que encontro pelo caminho, mas sim, as flores, que carrego comigo. Dentro do coração.

(Monalisa Macêdo)

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Meu pensamento.


Meu pensamento: onda que ao beber-te, não se quebra mais à frente, ao lado do “não estamos”. Te atravessa. Me excede. Invade. Querer-te bem é rir das pedras. Renascer do mergulho que te encerra. Descuidar das margens. 

(Priscila Rôde)

Certas coisas ♫



Bem diz o mestre Lulu Santos: "Tudo o que cala, fala mais alto ao coração."

quinta-feira, 25 de julho de 2013

25 de Julho - Dia Nacional do Escritor.


Feliz dia àqueles que transcrevem o que sentem, aos que dedicam parte do seu tempo às palavras, às emoções, seja profissionalmente ou não. Feliz dia aos que libertam a mente, que dão asas a criatividade, aos que não tem limite no tempo nem no espaço. Feliz dia àqueles que nos levam ao mundo das fantasias e sonhos, onde podemos ser o que quisermos. A todos os escritores, parabéns pelo seu dia!

Blog Fluescência

Mas a gente logo finge esquecer.




Passamos algum tempo longe, nos desviamos, deixamos esse nosso encontro pra mais tarde, pra depois. Demorou mas te encontrei. ''Você está tão diferente.'' Fico feliz em saber que as coisas estão dando certo, e que você está conseguindo trilhar esse novo caminho. Os nossos compromissos diários nos impedem de nos esbarrar. Confesso que tem horas que gostaria que você se lembrasse de mim. De fato, sei que lembra. Mas a gente logo finge esquecer, só pra não ter problema, só pra não relembrar o que não deve e logo em seguida o foco é o trabalho! O jeito é ocupar a mente com outras coisas. Sabe aquele livro que a tempos queria ler? Então, Comecei semana passada. Tudo bem que volta e meia minha atenção se dispersa. É uma mensagem no celular, é um conselho no whatsapp, é uma chamada por engano e ''DROGA''! "Olha só, o pensamento já está longe, a vontade volta e" ... ''Tudo bem? Você está me olhando de uma maneira, que me retrai...''. Esperava mesmo te rever, te reencontrar. Meus pensamentos diante de ti voam em formas de perguntas que eu gostaria tanto de te fazer. Quero saber por que você demorou tanto, por que você fez questão de aceitar ficar longe de mim? Quero saber o que ocupou o meu espaço. E ao mesmo tempo tenho vontade de te dizer que aqui, o teu espaço continua. Ainda existe um vazio que nada preenche. Talvez seja por que ainda não encontrei alguém que merece esse posto. Claro, algumas pessoas já apareceram, tentaram me modificar, tentaram me fazer sentir algo novo, e tudo em vão. Não consigo viver com alguém pela metade. Não consigo omitir sentimentos e nem viver de falhas. Eu quero saber, por que fico assim, querendo encontrar formas, desenhos, palavras pra fazer você entender que teu lugar é ao meu lado, é aqui, trilhando sim, um caminho diferente, mas diferente de tudo que já vivemos. - ''Hei, estou falando contigo. Será que é difícil prestar atenção em mim?'' ... ''E depois de todo contexto e de tudo já dito, você continua agindo como se não se importasse.'' Talvez seja a hora de deixar novas coisas fluírem, deixar que a vida me surpreenda e me permita encontrar alguém que preste atenção em mim, que me ouça, que me compreenda. E não finja estar de corpo presente e mente lá longe. Vou nessa, tenho pressa de viver, necessito de alguém que seja diferente de você e não com atitudes iguais. 

(Rogério Oliveira e Scheila Azevedo Hinnah)


Mulher marcante.



A verdade é que se pode reconhecer uma mulher marcante há quilômetros de distância. Sem precisar sentir o perfume forte ou ver o batom vermelho. A mulher marcante dispensa acessórios, é completa em si mesma. Não precisa anunciar-se, por que tem o dom de não passar despercebida. A mulher marcante nunca pretende incomodar, não gosta de provocar a inveja alheia. Um olhar de despeito não torna o seu dia mais alegre, pelo contrário, lhe é indiferente. A mulher marcante sabe bem do seu poder, por isso consegue admirar tranquilamente a beleza alheia, elogiar a grandeza de outrem sem sentir-se diminuída. Vez ou outra ela sai bem vestida e bem maquiada, mas por trás daquilo tudo ainda exala um aroma de naturalidade que encanta. Cultua a beleza porque gosta, mas definitivamente não precisa. A sensualidade está presente, mas não se pode dizer de onde ela vem.
A mulher marcante é, sobretudo, sutil. Ela não grita aos quatro ventos a própria virtude, ela não precisa humilhar outras mulheres ou provocar os ex-namorados. Ela realmente faz toda a diferença. Ela sabe ser dispensada com um ar sensato que faz qualquer galã sentir-se um babaca. Ninguém jamais a abandona sem que se arrependa amargamente pelo resto da vida, e ela guarda um encanto que não deixa espaço pra críticas maldosas. Ela é do tipo que não quebra promessas e não omite os próprios defeitos. Ela se aceita e nunca se desculpa por ser quem ela é. Ela compreende a efemeridade das coisas e das pessoas, mas se recusa terminantemente a ser efêmera. E não poderia ser, mesmo que quisesse, porque ela sempre vem pra ficar. Mesmo depois que vai embora, de alguma forma ela fica, porque é do tipo de mulher que não precisa se fazer presente para ser lembrada.
A mulher verdadeiramente marcante nunca se diz melhor que as outras, embora em muitos aspectos ela seja. Ela guarda os seios bem guardados numa blusinha discreta, em vez de espremê-los num sutiã menor que o seu manequim.
A mulher marcante não se importa de ter gostos peculiares. Ela não segue tendências, mas também não persegue a originalidade a todo custo. Ela não tem vergonha (e nem orgulho) de dizer que gosta do que ninguém gosta, ou que gosta do que todo mundo gosta. A opinião alheia nunca é um problema para ela, porque, verdadeiramente, ela se basta. Sem petulância e sem egoísmo, ela se basta. E por isso mesmo ela não sente necessidade de falar de si mesma, quase nunca.
Esse tipo de mulher sofre constantemente com a inveja alheia, embora, na maioria das vezes, sequer se dê conta. Ela se ocupa em tornar-se alguém melhor e superar os próprios limites, ela gosta tanto de distribuir bons sentimentos que os sentimentos ruins passam despercebidos diante de seus olhos. E isso a torna, de certo modo, inatingível. Embora não queira e não precise incomodar, ela incomoda. E muito. Desperta, na verdade, uma enorme curiosidade em torno do que a faz tão atraente. Pouca gente entende. Não se sabe qual é o traço que chama tanta atenção, ninguém consegue identificar a virtude que a torna tão marcante. Mulheres marcantes são, sobretudo, raras.
É curioso: Quanto mais ela se esconde, mais evidente fica. Quanto mais neutra busca ser, mais marcante se torna. Leveza é o seu sobrenome, mas a sua presença pesa como nenhuma outra.


(Nathali Macedo)

Deu saudade.



E deu tanta saudade. 
Das nossas sacanagens tão doces, e das nossas vontades-urgentes-nunca-realizadas.
Da inocência que eu tinha te querendo tanto e tentando te odiar.
De ser tão tua, como eu sempre dizia, sem ser. E quando, mesmo sem te ter, te sentia tão meu...
Saudade das conversas, e daquele querer que nunca ficava pra depois. 
Das mensagens na madrugada, do ciúme que eu sentia ao enxergar outras nas tuas entrelinhas.
Saudade das indiretas que nós trocávamos, e das palavras que só nós entendíamos...
Saudade da gente, do que (nunca) fomos, do que meu coração pediu tanto pra acontecer, e não aconteceu. Saudade de quando havia alguma possibilidade de virarmos ‘nós’.
Te guardo com as melhores lembranças. E o resto eu deixo pro tempo contar.

(Karla Tabalipa)

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Hooponopono - Oração ao Criador.


Divino Criador Pai, Mãe, Filho, todos em Um,
Se eu, minha família, meus parentes e antepassados
Ofendemos tua família, parentes e antepassados
Em pensamentos, palavras, fatos ou ações
Desde o inicio de nossa criação até o presente;

Nós pedimos teu perdão
Deixe que isto se limpe, purifique, libere
E corte todas as memórias, bloqueios, energias e vibrações negativas
Transmuta essas energias indesejáveis em pura luz. E assim é.

Para limpar meu subconsciente
De toda a carga emocional armazenado nele,
Digo uma e outra vez durante meu dia
As palavras chaves do Hooponopono
Eu sinto muito, me perdoa, obrigado, eu te amo.

Me declaro em paz com todas as pessoas da Terra
E com quem tenho dívidas pendentes
Por esse instante em seu tempo
Por tudo o que não me agrada de minha presente vida
Eu sinto muito, me perdoa, obrigado, eu te amo.

Eu libero todos aqueles de quem acredito
Estar recebendo danos e mal tratos
Porque simplesmente me devolvem
O que eu os fiz antes
Em alguma vida passada
Eu sinto muito, me perdoa, obrigado, eu te amo.

Ainda que me seja difícil perdoar alguém
Eu sou quem pede perdão a esse alguém agora
Por esse instante em todo tempo
Por tudo o que não me agrada de minha vida presente
Eu sinto muito, me perdoa, obrigado, eu te amo.

Por este espaço sagrado que habito dia a dia
E com o qual não me sinto confortável com isto
Eu sinto muito, me perdoa, obrigado, eu te amo.

Pelas difíceis relações das quais guardo somente lembranças ruins
Eu sinto muito, me perdoa, obrigado, eu te amo.

Por tudo o que não me agrada na minha vida presente
De minha vida passada, de meu trabalho
Ou o que está ao meu redor
Divindade, limpa em mim o que está contribuindo com minha escassez
Eu sinto muito, me perdoa, obrigado, eu te amo.

Se meu corpo físico experimenta
Ansiedade, preocupação, culpa, medo, tristeza, dor...
Pronuncio e penso: minhas memórias, eu te amo
Estou agradecida pela oportunidade de libertá-los a voces e a mim
Eu sinto muito, me perdoa, obrigado, eu te amo.
Neste momento afirmo que ...eu te amo.

Penso em minha saúde emocional
E na de todos os meus seres amados...te amo
Para minhas necessidades e para aprender a esperar sem ansiedade, sem medo
Reconheço as memórias aqui.....sinto muito, te amo.

Minha contribuição para a cura da Terra
Amada Mãe Terra, que és quem Eu sou
Se eu, minha família, meus parentes e antepassados
Te maltratamos com pensamentos, palavras, fatos e ações
Desde o inicio de nossa Criação até o presente
Eu peço teu perdão

Deixa que isto se limpe, purifique, libere e corte todas
as memórias, bloqueios, energias e vibrações negativas.

Transmuta estas energias indesejáveis em pura luz. E assim é.

Ele disse "saudade".


— O que você andou bebendo? — aponto para o copo vazio.
— Saudade — ele murmura com sorriso torto, enlaçando-me a cintura.


(Ju Fuzetto e Maria Fernanda Probst)

É melhor.



É melhor retirar-se e deixar uma bonita lembrança, do que insistir e virar um verdadeiro incômodo. Você não perde o que nunca teve, nem mantém o que não é seu. Se você é forte pra dizer Adeus, a vida te recompensará com um novo olá.

(Scarlett Smith)

Todo o universo conspira.

Deve ser porque dentro dela tem uma força que sempre teima em acreditar. 
Em sonhar. Deve ser.


(Bibiana Benites)


Quando uma criatura humana desperta para um grande sonho e sobre ele lança toda a força de sua alma, todo o universo conspira a seu favor.

(Goethe)

as coisas que a gente guarda.



Mas, moço, as coisas que a gente carrega no peito, ninguém consegue explicar não. 

(Mariana Santos)

terça-feira, 23 de julho de 2013

Rolo sem fim.



A gente vivia num rolo daqueles sem fim. Bom, não sei se era esse o nome, sei que era uma parada sem explicação e com todas as razões para ser algo fabuloso e com o nome predileto que tanto falava as canções românticas. 

Tudo teria uma cor forte, se ele permitisse um nome. Era o que eu queria. Um nome para desenterrar minhas dúvidas, que rondavam minha cabeça como borboleta a procura de manjar no verão. Um nomezinho na agenda telefônica. Algo bem pequeno e discreto que despertasse suspeitas de ombros juntos. Que justificasse nossos domingos enfeitados de primavera. E não é que eu exigisse um passaporte para a mudança de estado civil. Não era por ai. Eu desejava era saber se o macarrão das noitadas combinava mesmo com o molho. Algo me dizia que sim, mas vez ou outra eu precisava ver se nossa matemática tinha o mesmo resultado. 
Era concreto como o vaso de flores do meu aniversário e a mensagem carinhosa no meu celular. E tinha forte tendência a combinações bonitas de rosa e azul. Só não tinha nome. 
Viver em um paraíso sem a eternidade de um nome, isso não combinava comigo. Nosso papo era bacana. Nossa música era a mesma. Então para completar eu reclamava por uma decisão tipo “vender pastel ou sair da feira”. Rascunhei alguma coisa no papel e disse na lata- acho bom você se definir. Cara, você precisa ser alguma coisa. 
Seja tu, eu, nós, vós. Qualquer coisa simpática. Seja de qualquer jeito, em qualquer lugar, qualquer tempo. Um amor, um sentimento, uma loucura. Um céu, um oásis, uma pedra no sapato, uma música romântica, uma novela de amor, um furacão de paixão, um estoque de sentimentos, santo, anjo, ou alguma coisa perigosa. Um tudo, um nada, uma fantasia de carnaval ou qualquer coisinha desta, mas não deixe de ser. Não deixe de ter um nome, casa, vaga na garagem, prestações para pagar. Dê nome aos bois e a ninhada também. Identifique suas vontades. Decida suas verdades. Resolva entre o café rápido, a pizza semanal ou o almoço de todo dia. 
Resolva onde quer guardar seu cachecol. Essa era a conversa cotidiana e enfadonha eu sei, mas eu Maria, precisava saber melhor sobre o meu José. Justo, simples e prático. Eu precisava saber se poderia continuar gastando minhas energias e iria receber de volta uma pirâmide bruta incrustada de felicidade. Faz sentido minha aflição, pelo menos eu pensava que sim. 
Sem essa de fazer de conta que é feliz e uma penca de outras bobagens, pagando um preço alto em um investimento que não merece um sorriso. Falei, Indiquei. Perguntei. Cobrei as palavras mágicas agrupadas e cintilantes traduzindo meus motivos para cantarolar as ultimas românticas no chuveiro. 
As interpretações de confiança e credibilidade vieram com um duvidoso sim e um gesto simples demais mostrando que dei valor demasiado numa pedra pontiaguda de um lado e escorregadia do outro que não valia minha sentença afetiva. Ele pertencia ao grupo dos confusos e discretos que divagavam sobre sentimentos sem, contudo sentir. 
Perguntei. Interpretei e me danei. 

(Ita Portugal)

Mais uma carta.



Provavelmente essa será mais uma das cartas que talvez você nunca leia. Não sei. Até agora ainda não consegui compreender porque continuo com isso, com essa mania de juntar tinta e papel, palavras e você, e te escrever inutilmente.
Escrevo para ter certeza que tentei de tudo - o muito, que tentei de várias - inúmeras - maneiras não ficar como uma sombra, uma nuvem escura na sua vida e no seu coração.
Escrevo porque sinto a necessidade de falar, falar coisas que você não teria tempo pra ouvir, coisas que talvez nem interessem ou façam mais falta pra você. Pra dizer que tudo continua intacto aqui no meu peito, pensamento e coração; que as lembranças estão guardadas em um album de fotografia; que os planos e sonhos ficaram guardados em e-mails, sms's e no tempo...
Pra dizer que meu amor continua o mesmo, forte e infinito. Pra dizer que torço por você, que desejo sua felicidade, que te desejo sonhos novos, vida longa, planos concretizados, filhos lindos e uma esposa à sua altura. 
Escrevo enfim, porque nem eu, nem você somos de plástico, ferro, ou descartáveis, ou outra coisa do tipo, por tanto seria injusto deixar tudo ser esquecido assim, de repente, deixando sensações de mal entendidos entre a gente.
Escrevo para que não pulemos de estágio, que não sejamos meros desconhecidos, e para finalizar pra deixar claro que o que eu senti - sinto - por você, não foi - não é -paixão, e não vai morrer aqui, não vai morrer no fim. 

 (Josseny Kenny)

Filtro dos sonhos.


“Conta uma velha lenda dos nativos norte-americanos, que um velho índio ao fazer uma Busca da Visão no topo de uma montanha, lhe apareceu IKTOMI, a aranha, e comunicou-se em linguagem sagrada.                                                        
A Aranha pegou um aro de cipó e começou a tecer uma teia com cabelo de cavalo e as oferendas recebidas. Enquanto tecia, o espírito da Aranha falou sobre os ciclos da vida, do nascimento à morte e das boas e más forças que atuam sobre nós em cada uma dessas fases. Ela dizia: “Se você trabalhar com forças boas será guiado na direção certa e entrará em harmonia com a natureza, do contrário, irá para uma direção que causará dor e infortúnios.” No final a Aranha devolveu ao velho índio o aro de cipó com uma teia no centro dizendo-lhe: “No centro está a teia que representa o ciclo da vida. Use-a para ajudar seu povo a alcançar seus objetivos, fazendo bom uso de suas idéias, sonhos e visões. Eles vem de um lugar chamado Espírito do Mundo que se ocupa do ar da noite com sonhos bons e ruins.”
Segundo demonstram algumas linhas do Xamanismo, mesmo de posse do Filtro dos Sonhos, teremos pesadelos, pois eles nos mostram visões de diversos aprendizados que devemos nos atentar. Acredita-se que o filtro impedirá que energias indesejadas interfiram no processo natural e particular de sonhar.           
Na confecção do Filtro dos Sonhos, pode ser colocada uma pena no centro, abaixo, simbolizando a respiração, o elemento ar, e em alguns é colocado no centro uma pedra ou cristal. Tudo o que é colocado possui um significado. O Centro da Teia Corresponde ao Grande Mistério, o Criador, a Força que abrange o Universo inteiro.

(Irmandade Natureza Divina)

Não há tempo para tudo.


Mas é preciso escolher. Porque o tempo foge. Não há tempo para tudo. Não poderei escutar todas as músicas que desejo, não poderei ler todos os livros que desejo, não poderei abraçar todas as pessoas que desejo. É necessário aprender a arte de “abrir mão” – a fim de nos dedicarmos àquilo que é essencial.

(Rubem Alves)

domingo, 14 de julho de 2013

Acordei.

 

Hoje eu acordei toda sol. Com imensa vontade de amanhecer.

 (Meire Oliveira)

Convite.



Vamos combinar alguma coisa para domingo, segunda, terça. Vamos marcar no verão. Qualquer momento deste, vamos fazer um revival. Vamos ocupar minha cabeça. Ouvir uma canção e dançar também. Vamos ficar sozinhos e se nada disso te agradar vamos fazer alguma coisa. Vamos trocar figurinhas. Esquecer as mágoas. Brincar de afeto. Dar adeus à solidão. Rir das coisas engraçadas. Fazer novos planos. Tentar coisas bonitas. Ouvir uma música nova. 
Vamos sentar de mãos dadas no banquinho da praça e colocar a prosa em dia. Decretar a presença do sentimento. Poemar para as flores ou quem sabe para nós dois. Financiar nossas alegrias. Deserdar as dúvidas. Despedir o tempo que passa rápido demais. Desentortar as incertezas. Por uma noite, vamos contratar a lua apenas para nós dois. Vamos viver as nossas loucuras. Até as mais aceitáveis. Dar uma paradinha no silêncio. Chutar as contradições. Aborrecer a tristeza Tomar a felicidade. Vamos fazer nada juntos. Vamos andar por aí e cuidar de nós. 
Vamos que estou aceitando o seu convite Estou aceitando convite para uma dose forte de conhaque. Uma temporada de emoções. Um porre de alegria. Um abraço. Uma loucura nova. Estou aceitando uma escapada para a felicidade. Um amor, uma cabana e alguns sonhos provisórios. 


(Ita Portugal)

sábado, 13 de julho de 2013

E nós já não somos mais.




E nós já não somos mais como éramos. Os desvios da vida nos fizeram seguir caminhos que nós mesmos escolhemos. E olha só como estamos! Acabamos conquistando coisas que planejávamos juntos. É engraçado. A gente conquista tantas coisas ao decorrer, e mesmo assim continuo torcendo pela gente. Não digo ''pela gente'' no sentido de te ver comigo novamente. Afinal muito tempo se passou e olha só pra gente. Somos livres agora. Embora eu realmente desejasse que estivéssemos juntos, estou contente com a forma que estamos escrevendo nossas histórias. Parece absurdo, mas um dia, quem sabe, ainda vamos nos esbarrar em uma esquina, num bar ou em uma rua qualquer. E eu ainda vou lembrar de tudo que vivemos, de tudo que planejamos. E certamente iremos rir de coisas que passamos quando ainda éramos nós, e até mesmo quando deixamos de ser. Mas olha, com ou sem risada, estarei completo, pela felicidade de te reencontrar, por te ver bem sem mim. E por saber que eu também sobrevivi ao nosso fim. Renasci para o meu começo. E estou adorando essa sensação de ter morrido de amor e ainda assim permanecer vivo. - 

(Rogério Oliveira / Josseny Kenny)

O valor das coisas.




O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis.

(Fernando Sabino)

Numa rua, numa esquina.



Ando sem rumo. Meio morta. Meio torta. Indefesa. Inexata. Friorenta. Ando com noturnas angústias. Com dores desnecessárias. Fazendo luto para as esperas. Ando sem mim. Ando sem nada íntimo. Sem orquestras de sonhos. Sem réstias. Com desconforto emocional. Sem pausas. Acredito que num lugar qualquer. Numa rua. Numa esquina, dei de cara com o absurdo de fugir de mim mesma.

 (Ita Portugal)

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Eu estarei esperando.


"Algum dia nós vamos nos encontrar. Eu acredito nisso com todo o meu coração. Até esse momento chegue, eu quero que você mergulhe em busca de teus sonhos. Eu quero que você confie no seu coração. Eu quero que você viva por amor. E quando estiver pronto, venha me encontrar. Eu estarei esperando."

(Ben Sherwood in Morte e vida de Charlie St. Cloud)

Nos seus olhos. ♫



Nos seus olhos - Nando Reis

Pelo menos.



Pelo menos ficaram boas lembranças que mais parecem uma boa espreguiçada na memória nostálgica e típica de quem um dia desembarcou o coração na alegria do afeto. Pelo menos deixamos a solidão em banho-maria na certeza do inesperado nos reencontrar. 
Pelo menos adiamos o confronto com a verdade que desnudava o humor matinal. Pelo menos era inverno e adormecemos no abraço. Pelo menos a gente cruzou o olhar. Pelo menos nossas frequências se suportavam e as nossas mesmices combinavam e abrigavam tentativas de mudanças. Pelo menos nossos intervalos não eram egoístas e respeitavam o tempo. 
Pelo menos fez sol em nossos encontros e chuva nos descansos necessários de nós mesmos. Pelo menos nossa desordem bebia no mesmo copo e se ajeitava quando era necessário. Pelo menos a insônia era passageira, a harmonia constante e a provocação um bom motivo para os impulsos de sentimentalismo, mesmo barato, mas feito sem nenhuma obrigação. 
Pelo menos o presente era íntimo de nós, o futuro era próximo e o talvez apenas uma vaga ideia no dicionário. 
Pelo menos tudo acontecia sem pressa, as despedidas eram adiadas e o rigor da doação batia ponto de segunda a segunda. 
Pelo menos tínhamos para onde ir ao final da tarde. Pelo menos tínhamos sempre encontro marcado com nossa subjetividade. Cada minuto era eterno. Cada carinho, único. Cada palavra amparada pelo aconchego interpessoal. Pelo menos nosso verbo era corajoso, não pressentia perguntas e agia sem muito questionar.
Pelo menos alguém batia a porta todos os dias. As esperas não eram em vão. Pelo menos havia pés para serem aquecidos, mãos para serem tocadas. Um coração para ser ocupado. Entusiasmos para acelerar a paixão. Palavras para serem ditas. Olhares para serem trocados. Pelo menos havia sorrisos no ar. Horas para serem gastas. Pelo menos vivíamos sem anestesia. Sem medo. Sem pudor. Sem ranço. Sem medida. Sem hemisférios. Sem depois. Pelo menos tudo era pra hoje. 
Pelo menos eu estava habilitada para esse amor e nunca resisti o tempo que ele durou. 

(Ita Portugal)

Uma nota.

Uma nota: às vezes as pessoas me assustam.
duas notas: nem pelo que dizem, nem pelo que fazem
— mas pelo que calam.

(Maria Fernanda Probst)

A gente sempre sabe.



"A gente sempre sabe quando o fim está próximo mesmo antes dele chegar. Assim como a gente sabe que está pra chover, o desapego também deixa sinais. É o telefone que perde a frequência, o assunto que desaparece. A gente sempre sabe quando já perdeu. A questão é que ninguém está pronto pra dizer adeus."

(Querido John)

domingo, 7 de julho de 2013

Eu sou presente.



A quem possa interessar, eu continuo aqui, mas exorcizei as promessas vazias, os amores de verão, a sinceridade com máscara enganosa. Consola-me saber que não me perdi no caminho. Alegra-me a confirmação de que, de pedaços em pedaços, não sobrou um caquinho das ilusões do passado. Agora, eu não presto mais atenção no passado, que junta mofo sentimental. Eu sou presente. Estou me deixando ser feliz. 

(Ita Portugal)