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domingo, 18 de dezembro de 2016

Poesia.


Poesia é a letra que combinou com o canto do sabiá. É a lua mandando recado para o sol. É a carta colocada a esmo no vidro e lançada ao mar. A lista de sentimentos na porta da geladeira. A voz melodiosa do cantor romântico no bar da esquina. É a roda do samba com a moça dançando bonito pra todo mundo ver. É o coração em silêncio reverenciando a saudade. Poesia é colo. Afago. Poesia é do povo e o povo é da poesia. Poesia tão nossa. Tão vossa. Tão da gente mesmo. Poesia são as cordas vocais da vida em funcionamento. Poesia então ultrapassa o texto e toma forma. Toma jeito. Toma ar. Toma canto. Toma nota. Toma a vida. Toma a gente. Poesia é sopro. Poesia é um baita coração vivendo, sentindo, amando e talvez, também morrendo. 

(Ita Portugal)

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Encanto.


Deus me livre de perder o encanto pela vida, 
embora ela não seja de todo encantada.


(Ita Portugal)

terça-feira, 25 de março de 2014

Seletiva.



Sinceramente, sou seletiva. Não me apaixono só porque o cara é filho da puta. Além dessa prerrogativa, ele tem que ser carinhoso, charmoso, sedutor e original. Pode ser inclusive um sujeito embaraçoso, embaraçado, sem necessariamente andar em desalinho e não me tratar como camarada nas bebedeiras de fim de noite no bar encardido da esquina perigosa. 
Se resmungar, que seja pela falta de minha presença. Sou seletiva também no quesito trivialidades. Pode fazer bobeiras, desde que sejam suportáveis. Pode e deve gostar daquela preguiça aguda de final do dia, principalmente aos domingos. Se roncar, que seja silencioso. Se fugir, que volte no final do dia. Se tiver como prioridade a avareza, que seja para dizer não.
Eu me apaixono por esses tipos revolucionários, indecentes, descarados na alma. Que enfrentam suas crises adiando as angústias, as perguntas, e experimentam de primeira os mergulhos nos improváveis. 
Apaixono-me pelos errados, uma vez que os certos estão em extinção. E se o sujeito possuir tendências para pular do cotidiano, para os atalhos, ganha-me sem direito a devolução.
Gosto dos idiotas sensacionais que compõem trilhas sonoras românticas e combinam andar descalços pelos ladrilhos pontiagudos para provar os perigos iminentes de amar sem restrição. Se for apressado para as fantasias, dispensar os protocolos e trouxer a primavera na bandeja do café da manhã, será imperdoável não amar esse sujeito.
Sinceramente, no amor, gosto de quem tira coelhos da cartola e brinca de faz-de-conta, mas pleno das habilidades mentais não desperdiça um lance para fazer declarações precipitadas de amor e algumas metáforas promocionais. 
Me encanta quem não possui roteiro e faz badernas emotivas por qualquer falta na relação. Seja falta de afeto, falta de abraços, amasso, tempo.
Os repetitivos tem prioridade em desperdiçar o seu tempo comigo. Gosto de quem se repete, escreve, publica, declara o que está além de sua compreensão, apenas para não deixar o afeto passar impune. Inventam o faz de conta do para sempre nesse exato momento.
Sujeito encantador, fala sozinho ou acompanhado e deixa escapar a sanidade por pura falta de interesse em coisas bem traduzidas, cuidadas e desvendadas. Sou envolvida pela dose e meia de loucura e frescura. E dou nota máxima para o aconchego que faz milagre nas rachaduras da solidão. 
Amor sacana e bacana é aquele que nunca esfria e nem pode ser requentado à meia noite. Sujeito cheio de lero-lero, especialista em perder-se lentamente na irracionalidade dos gostos, arroubos seletos e nas grades do afeto, certamente fará a composição do meu ritual de felicidade tola. Esse é dos meu! 
O sujeito sacana e bacana, chega esmigalhado de promessas tolas, furacões controláveis, voos multicoloridos e horizontes avermelhados de ternura. Fico fascinada por quem tem a habilidade de me fazer acreditar nas mentiras, desde que sejam sinceras e realizem sonhos a dois. Quem oferece as estrelas desenhadas em papel e tropeça a procura da borboleta imaginária, convertendo a ilusão numa loucura aprazível. Sujeito digno de um amor sacana, é aquele que liberta a sua feiura interior, faz virar pó qualquer adereço indigno das carícias amorosas e faz você acreditar que vale desperdiçar a vida. Alarga o coração e faz um espetáculo plugado aos bons pensamentos. Consome sobriedade, mas galopa na irônica ilusão de felicidade.
Nem faço exigência, desde que seja assim: sem qualquer futuro promissor, apenas o sujeito de meu amor. 
Conte-me se isso acontecer contigo.


(Ita Portugal)

sábado, 15 de março de 2014

quinta-feira, 6 de março de 2014

Demoras.



Já ofereci pele, saliva, ânsia, brilho, doçura, filosofia e batimentos cardíacos. Já dei oceanos, sol, estrelas, poemas, canções, primaveras, invernos enroscados e quentinhos com romances embrulhados em papel luminoso. Declarei minhas fraquezas, lerdezas e certezas. Fiz vigília, abracei quarteirões, enchi a cara de vodca, o coração de vento e anexei amor. 
Fiz todas as porcarias. Agora é tarde. Demoras me causam calafrios. 
Desembarquei em outra ilha. Estou na maioridade sentimental. 

(Ita Portugal)

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Devassa.


Se você conhecesse meus pensamentos, ia me chamar de devassa. 

(Ita Portugal)

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Seja livre de tudo que não te ilumina.




Leia. Leia sempre! Alimente sua alma com aquilo que é fundamental. Leia poesia. Leia romances. Veja pássaros. Admire borboletas. Cultive flores. Ao final terá um jardim bonito.
Respeite. Respeite os mais velhos. Respeite os jovens. Os sábios. As crianças. Todos, precisamos de respeito. 
Quando estiver triste, cante. Quando estiver feliz, cante mais. Quando nada acontecer, cante também. Esse será um esforço diário para fazer de sua vida uma bela melodia.
Tente. E mesmo quando estiver cansado, tente. Um dia por teimosia, seus sonhos acontecerão.
Quando for necessário, chore. Sozinho ou acompanhado, chore. Lágrimas podem ser águas abundantes lavando a nossa alma. Não tenha medo de dizer: não sei, desculpe, perdoe-me, ajuda-me. Alguém irá ouvir e importar-se com isso. 
Demonstre emoções. Não guarde mágoas.
Caminhe com os fortes. 
Perdoe ao perceber que sua fragilidade foi ferida. Um dia irá ferir alguém e precisará desse perdão. 
Seja livre de tudo que não te ilumina. 


(Ita Portugal)

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Sou tudo e nada.


Tenho dilemas difíceis, amparados por contradições. Tenho vontades incompatíveis com a realidade. Sigo, ora assim, ora assado, ora insuportável. Sou um mar. De lama. De espumas. De dramas. De lágrimas. De fama. De fogo. De chamas. Acertos concretos. Abstratos poéticos. Ajustes imperfeitos. Promessas não cumpridas. Escuros apropriados para noite sonolentas. Sou o que se encanta com teu amor. Sou ontem lembrada. Hoje decidida. Sou tudo e nada.

(Ita Portugal)

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

O que importa.

Na convivência, o tempo não importa. Se for um minuto, uma hora, uma vida. O que importa é o que ficou deste minuto, desta hora, desta vida. Lembra que o que importa é tudo que semeares, colherás. Por isso, marca a tua passagem. Deixa algo de ti, do teu minuto, da tua hora, do teu dia, da tua vida.

(Mário Quintana)


A verdade é miúda e no instante seguinte desenha caminhos, desvenda mistérios, enxerga horizontes. A pequena verdade passa o rascunho a limpo e faz uma dedicatória proposital a tudo que é lúcido.

(Ita Portugal)

sábado, 14 de dezembro de 2013

Trocando em Miúdos (V)

Quero um dia maior para viver com vontade. Um coração mais largo para caber tanto amor. Quero viver, aventurando-me na ousadia de fazer um belíssimo espetáculo, sem nenhum script. Sem nenhum diretor que me exija tanta disciplina. Quero é suportar minhas loucuras e me completar com o resto de alegria possível. Por favor, não me fale de regras, técnicas, normas. Perdi essa aula por pura teimosia.

(Ita Portugal em "Trocando em Miúdos" V)

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Trocando em Miúdos (IV)


Quero sair por ai. Andar descalça. Cumprimentar os passarinhos. Sorrir para as flores e gargalhar com as crianças. Quero falar de amor para que todos possam ouvir. Ter liberdade de ficar em silêncio. Falar quando for necessário. Aconselhar meu coração. Sonhar com dias melhores. Cantar sem rima. Escrever sem motivos. Chorar sem razão. Amar sem restrição. Romper o óbvio. Sair do prumo. Soltar os remos e navegar. Colher flores para dar de presentes. Tricotar verdades. Descartar as mentiras. Dizer bye bye para a tristeza. Não ser levada a sério. Não servir de exemplo. Não dar conselhos. Quero acordar na lua. Tocar o céu. Passear pelas nuvens, pelo menos nos sonhos.
(Ita Portugal in "Trocando em Miúdos" IV)

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Trocando em miúdos (III)


Que nenhuma lição seja repetida por falta de aprendizagem. Sentir-me-ei confortável se souber que fui boa aluna. Quero capturar a euforia, o entusiasmo pelo novo. Fazer todas as tentativas. Completar o trajeto, fazendo a minha parte e dando o meu melhor. Quero me importar comigo e com os outros e entender que fascinante é a caminhada. Trocando em miúdos e traduzindo minhas vontades, se eu morrer agora, que seja por ter vivido em demasia. E por falar em querer, eu quero mais é quebrar tabus, arregaçar as mangas, abrir as portas e soltar todos os meus vocábulos junto com o meu coração. Quero é dizer do que gosto, de quem gosto. Repetir a dose, exagerar no gole, não fazer corpo mole e assumir meus sentimentos. Quero que se dane a formalidade que me exige andar de salto alto, corpo ereto, copos,talheres e pratos no mesmo alinhamento. Quero mesmo é dar adeus a frescura que me deixa entalada na roupa de festa e me faz beber vinho em pequenos goles, para não entornar. Que me exige dar risadinhas no canto da boca e fazer poses para ficar bem na foto.

(Ita Portugal in "Trocando em miúdos" III) 

domingo, 1 de dezembro de 2013

Trocando Miúdos (II)


Que eu não ande programada para caminhar nos nevoeiros. Permita-me experimentar o novo, insistir nas experiências, tentar e tentar, sem hesitação. Deixa-me olhar além do horizonte, também para os lados, para trás, assim terei a certeza de que vou enxergar as arestas, as curvas, às zonas periféricas. Quero ter a absoluta certeza de que fui capaz de perceber todas as pessoas que se encontram nestes lugares. Não quero me privar do amanhã. A oportunidade e a possibilidade podem estar exatamente no dia seguinte. Não adotarei nenhum lema que me engesse a identidade de ser e fazer de um jeito melhor. Nem quero passar impunemente pela vida. Necessito viver tudo aquilo que tenho direito e se for pra ralar o joelho, que eu tenha na sacola o remédio para curar os tropeções e raladuras. Que a vida não me pegue desprevenida.

(Ita Portugal in "Trocando em Miúdos" II)

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Irreversível.


Eu sempre achei fenomenal essa gente animada. É sério. Acho bem bonito, pessoas que sabem ter a alegria num simples bom dia. Gente que consegue enxergar melodia na campainha do despertador. Eu não! A imensidão do dia sem nenhuma certeza me deixa numa quase dúvida, sem saber que rumo tomar. A expressão do meu rosto denuncia que, embora eu queira ventos mais brandos, nunca consigo expressar isso e contagiar a galera de plantão.
Solto minha promiscuidade com tamanha velocidade e quando percebo a merda tá feita. Não há como reparar. E não é por falta de reflexão, pois desconfio que penso mais do que deveria. 
Com um pouco de sorte, tenho fé que descobrirei o que há por trás das minhas intempéries. O calor dos trópicos, talvez seja uma boa resposta! De qualquer maneira nunca consegui me divertir engolindo sapos que deveria vomitar. E por pura falta de tato, tento dar o meu grito de liberdade, mas o infeliz sai fanhoso. 
Penso que o espelho trará a resposta. Olho e encaro o fato de que não sou imortal. Fico num desalento só. Ressentida, expresso com grande facilidade a patética verdade. Não consigo embolar, com legítima habilidade as entrelinhas do dia a dia, onde surpresas generosas não caem feito pingos d’água em dias de chuva abundante. 
Admiro de coração quem irradia luz. Considero forte quem tira o peso do ombro e enxerga bons motivos para caminhar sem nada. Reverencio quem acumula energia o suficiente para sustentar o conceito de que tudo é simples, prático e informal. Tudo vira moda, tudo vira luxo. Tudo é bonito lá em Bagdá porque nesse hemisfério está tudo frito pra cacete.
Aqui o sol não raiou. O tempo não esperou a roupa secar. As flores murcharam em plena primavera. O chão tinha pedregulhos e a prova é que o joelho ficou ralado. O vento foi ao contrário. O gol foi do contra. Tive birras e isso é absolutamente normal. Intensa e irreversível são as minhas pirraças, o restante é contração do peito e esforço enorme do olhar. 
Por segundos, babo com alguns encantos, mas não dura o tempo necessário para enxergar tudo cor de rosa. E se tudo isso for acúmulo de ranços velhos, para evitar, bem que a gente poderia nascer todas as manhãs e morrer ao anoitecer para zerar tudo. 
Queira me perdoar, mas é que estou lotada até a tampa de fantasmas, marcas e histórias que não me dão a capacidade para atuar como vitoriosa. Sentei na última fileira. Fiz como aplausos, apenas gestos leves com as mãos. Confirmei que tudo é bom e ruim. Amargo e doce na mesma proporção. Cuidei de minhas chagas, mas elas não desapareceram. Tenho rispidez nos atos. Não sou suave no falar. E aceito que a vida me fritou. No mais, tenho a ilusão de que sou feliz e finjo muito bem.

(Ita Portugal)

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Trocando em miúdos (I)



Quero saber amar quando for necessário e aceitar as despedidas quando elas forem inevitáveis. Viver sem arrependimento para evitar a chegada das culpas. Além da casa cheia de gente quero ter um coração ocupado de sentimentos. Não quero mais acumular arrependimentos do que não fiz. Procurarei entender que se não fiz, é porque uma força maior impediu. Não darei atenção aos rumores dos meus pensamentos que colocam dúvidas e abafam meus questionamentos. Não vou insistir em entender aquilo que não faz muito sentido. Vou sim, sentir o afeto inevitável, conferindo para quem devo oferecer meus sentimentos. Quanto aos ganhos, eu sei que são resultados de lutas e eu espero que não sejam árduas demais, mas toleráveis para que eu possa suportar e não precise derramar tanto suor e principalmente nenhuma lágrima. Sobre as perdas, que não me cause tanto medo, não me prive a liberdade e não me ampute os sonhos. Perder com dignidade e ganhar com sabedoria.

(Ita Portugal) 

domingo, 24 de novembro de 2013

Estou indo.


Estou indo pra lua, pra rua ou pra qualquer lugar comum. 
Vou indo. Vou sair da casca, do quarto, de casa. Vou à hora certa. Então, estou indo mesmo para ver a primavera, o sol brilhar, a lua sumir, o céu acordar e o dia surgir sem mesmice.
Estou indo para a estrada, sem mais ninguém para cantarolar comigo. Não faz mal. Faz muito bem porque estou indo.
Estou indo sem carregar nos ombros nenhum arrependimento. Indo de mala e cuia para o próximo planeta mesmo que eu não passe da primeira esquina. Estou indo para os quatro cantos do mundo.
Estou indo sem medo, sem nada, sem nenhuma garantia de felicidade. Estou indo.
Sem trocadilhos, sem encomendar certezas, sem exigir saudade, eu estou indo.
Estou indo sem tapear o desejo, sem melancolia, sem roteiro, garrafa de café, bússola ou caixinha de remédios.
O que interessa é que estou indo sem estacionar na próxima parada. De malas prontas eu estou indo para fora de mim. Apressada, estou indo.
Estou indo experimentar o gosto dos imprevistos.

 (Ita Portugal)

domingo, 17 de novembro de 2013

Dos abstratos absurdos.


De concreto, não tenho eira e nem beira. E dos abstratos absurdos, tenho sonhos contratados, caminhos virgens, borboletas nas ideias, delírios iluminados, ilusões de todas as cores, aventuras secretas, becos cheios de histórias, uma imaginação desassossegada para nascer poesia.

(Ita Portugal)

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Se não der certo.


Tenho fé que eu ainda tomo jeito. Desentorto. 
Tomo rumo. Se não der certo, eu tomo um porre. 

(Ita Portugal)

A resposta, a cura, a salvação.


Temos a resposta, a cura, a salvação para dor alheia, mas a nossa nunca sabemos resolver.


(Ita Portugal)

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Quando eu chorar.


E quando eu chorar será por saudade. Será pelas lembranças das poções antigas que me traziam o teu encontro. Quando eu chorar será pelo deserto que ficou. Será pelo escândalo de tua ausência. Pela sua displicência em não ter lido o último bilhete. Quando eu chorar, serei eu vertendo as indiferenças de tuas idas e nunca vindas. Será porque eu não soube falar, pedir, reclamar, dizer. Quando eu chorar, será compreensível. Não para os outros, mas para mim.
(Ita Portugal)