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domingo, 10 de julho de 2016

Noutras fontes.



Ando quieta, acomodando minha vida noutras fontes de bem estar. 
Parei de gritar aos quatro cantos o quão bonito é sentir. É que estrapolo, estou sempre transbordando sonhos. Isso já me fez escorregar.
Estou cada dia mais reclusa e tenho me sentido mais forte para enfrentar tantos monstros, até mesmo aqueles que nunca saíram da minha mente. 
Já não programo as coisas, danço conforme a música e às vezes só finjo dançar, balançando o corpo de um lado para o outro, assim, sem fazer sentido algum.
Deixei pra lá algumas amizades, cortei o glúten, inseri dois litros de água na minha dieta e assim vou levando os dias, me sentindo mais leve.
Numa manhã tão simples, acordo e sou quase a mulher maravilha. É tão verdade que até posso voar. É tão mentira que no outro dia viro apenas a garota boba que se cala por não entender essa gente com ar de superstar.

(Ju Fuzzeto) 

terça-feira, 29 de abril de 2014

Moça-solidão.


Ela sabia que aquele tipo de solidão rimava com aflição, mas ainda vivia num mundo de falso desapego e consequente desilusão. Rodava por aí como se nada fizesse sentido e como se lidasse bem com a própria mentira. Morria de medo da dor, mas, para seu azar, a dor parecia ter uma especial predileção por ela.
Pobre menina, amparada pela piedade de seu próprio martírio. Certas vezes, mantinha-se enlaçada no manto que a fragilizava, outras, saia despreocupada, despida da agonia que a blindava, vagava tentando manter-se intacta ao sofrimento, mas à noite, a saudade embrutecia seu sono e infiltrava grandes doses de tempestades em seus olhos. Molhava o travesseiro e a alma, mas mantinha a postura seca e ligeiramente sóbria ao amanhecer. Puro ato de coragem, ou não, era assim que toda a sua fraqueza se transformava em fortaleza.
Ela não tinha a quem recorrer além de alguns poucos amigos, umas doses de qualquer coisa que lhe tirasse do ar de vez em quando e um velho diário. Velho porque o começara há muito tempo, mas escrevia quase que mensalmente apenas e, nas poucas linhas, despejava os seus anseios, algumas bobagens doces e pesadelos amargos. Era seu consolo escrever até amanhecer, prostrada na amargura, ou numa loucura. A escrita era o seu único passaporte para saltar de dentro de si. Então, escrevia coisas açucaradas, mas seu paladar intuitivo pedia mais.
Rabiscava outros mundos, alguns azedos, outros sem gosto. Ia do amor à dor sem chorar, guardando cada sílaba na boca, pronta para beijar algum sapo, ou algum príncipe que pintasse no seu faz de conta. Sabia que isso podia ser real, mesmo assim decidiu trancar-se na antiga dor de sempre, naquela bendita companhia acolhedora. Eram amigas íntimas e, de vez em quando, uma se embutia na outra, ora moça, ora solidão. Mas a solidão enlouquece e um dia ela se viu diante da oportunidade de despejar seus anseios, provavelmente realizá-los, quando encontrou alguém que ria das mesmas bobagens, alguém que também açucarava, mas sabia acrescentar pimenta e sal na medida, e que também tinha pesadelos amargos, às vezes acordado. Alguém que sabia caminhar em meio à nebulosidade de sua mente, mas também sabia que ela podia ser dissipada com um sopro de carinho. Sim, ela encontrou esse alguém. Pois mesmo trancados e escondidos, acabamos sendo descobertos. Uma escorregada pelo mundo exterior e corremos o risco de virarmos alvos. Assim, sem nem pensar a respeito, ela foi encontrada. Ser encontrada não é o problema. O problema é se deixar encontrar. E a moça-solidão foi: caminhando rumo a um encontro que poderia ser desastroso, mas surpreendentemente, não foi.
Então ela, boquiaberta e braços escancarados, na ponta dos pés, querendo alcançar a lua, voou em direção à colisão: de almas, de corpos, de suores, de existência. Deixou largada no canto do quarto a roupa de solidão. Já não caía bem mesmo. Só agora ela percebia: parecia ter sido feita por um costureiro muito ruim, sem nenhum senso de estilo e que ainda por cima não gostava dela. Não, não. O tecido pinicava. Chega de se vestir de NÃO.


(Ju Dacoregio e Ju Fuzetto)

quarta-feira, 19 de março de 2014

Carência.



Gente carente é um porre. Gente carente é um saco. O mundo é carente, eu sou carente, você é carente e toda essa gente que nos olha de relance é carente.
Estamos forrados pela película do quero mais um bocado de carinho, preciso de mais um abraço, de um esforço dobrado do outro pra ser feliz. E isso nos torna feliz? Não, não, é tudo momentâneo, exigiremos mais do outro a cada dia, mesmo com uma dose cavalar de cuidados, ainda assim, seremos carentes.
Eu, você e a sociedade que nos vê com olhos de criança abandonada, precisamos da mão amiga, do olhar acolhedor, da batidinha nas costas, mesmo que seja um ato falso, vindo de alguém com caráter duvidoso. 
Forjamos um riso, engolimos a lágrima que dilacera por dentro, para nos mostrar interessantes e sermos aceitos pela plateia que nos assiste por entre as lentes do dia a dia. 
Prolongamos laços com o desconhecido, buscamos o apoio daqueles que parecem fortes, mas nada disso supre o buraco interno nosso de cada dia. O lance é bem complexo, achamos que somos espertos demais, mas nossa burrice atingiu o nível hard da carência. 
Enrustidos pela ganância de sermos seres apaixonantes, quando, na verdade, somos seres milimetricamente medíocres, esperando um riso, ou uma palavra de verdade, acabamos por alimentar essa roda que nunca para de girar. 
A todo instante mais um carente entra nesta roda. Brincando de girar, talvez alguém ainda encontre o verdadeiro significado de se bastar.
Quando a gente se basta, nenhuma carência encontra raiz pra se infiltrar em nossa vida. E digo mais, não quero nenhum carente de plantão fazendo bico ao finalizar a leitura. Isso vale pra mim também.


(Ju Fuzetto)

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Para cada alma.


Para cada alma cansada e amargurada existe sempre um colo quente, uma barba por fazer, um pescoço aromatizado com one million e, se tiver sorte, haverá também um tal de amor.


(Ju Fuzetto)

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Ridiculazinha.



Agora que eu estava entendendo de amor. Agora. Agorinha, um passarinho veio e assobiou já cansado, "Ridícula", “ridiculazinha”. Quem mandou querer aguentar o amor sozinha?

(Ju Fuzetto)

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Ninguém me conhece.

Ninguém me conhece. Não ao fundo, não direito. As pessoas não tem ideia de todas as marcas e cicatrizes que carrego, da tristeza que deita comigo em todas as noites que durmo sozinha, dos pesadelos que me assolam e da minha fraqueza que é tentar ser forte o tempo inteiro.
 (Ju Fuzetto e Maria Fernanda Probst)

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Ser, não basta.

É errado, bem sei, mas como passar por um furacão sem me abalar, como salvar a própria pele, se sou um estereótipo mal feito de tudo que me aclamam? De certo criei minha própria imagem, covarde e imunda. Cavei minha cova. Tendo em vista essa erva daninha que sou, jamais serei rosa. A fraca brisa que sopra já me abala inteira. Pinto-me de forte assim que abro os olhos, mas a máscara é tão mal colocada em meu rosto, que desmancha na primeira esquina. E ninguém percebe porque — como uma erva daninha num mato qualquer — ninguém me nota. E, quando me notam, logo percebem que afrouxo, dissemino meu veneno, minha eterna pose de anjo. Não, não, ninguém me vê como sou. Reparam apenas na falsa delicadeza que transmito religiosamente e incansavelmente. O que sou? Não sei, só sei que não sou e isso é tudo. Tudo que tenho, sem querer ter, apenas ser. E ser, não basta.
(Ju Fuzetto e Maria Fernanda Probst)

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Ela.


Só sei que ela escreve sobre silêncios e fala sobre barulhos. Sente além do sentir, ama pra além mar, ri e chora demasiadamente. Ela é o maior drama. Se faz de forte e, quando a dor aperta, se encolhe na cama. É criança que corre na chuva, é moça que recita sonhos e vive se fantasiando de imortal. Engole percalços, se atrapalha com números e se sai tão bem quando se explica com o coração. É guerra no meio da calmaria. É grito quando a alma cala. Ela é um verbo que não conjuga o futuro, um palavrão que desnuda a mente, semente a germinar na seca. Ela é estupidamente amada por todos, é protegida, emana energia, é luz que breca qualquer escuridão. É aquela que te deixa sem jeito, sem ar. É ela, que brinca de ventania e, volta e meia, te prende numa fé que nunca se desfaz.

(Ju Fuzetto)

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Aqueles olhos.





(...) mas nada era tão acolhedor quanto aqueles olhos de café com leite, que em poucas horas me deram o que muitos corpos, com seus suores, curvas e saliências não puderam me dar.
 (Ju Fuzetto)

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

A prece.

Que os anjos nos abram as portas que precisamos atravessar, e as que já não nos servem mais, 
ajudem-nos a fechar. 
(Rachel Carvalho)


Abra a janela, a porta e feche os olhos, agradeça.  A prece é um encontro que acontece quando nossa alma repousa no infinito de nós. Não grite aos céus implorando um sinal. A nossa hora de ser feliz nunca será a hora exata de tudo acontecer. Temos um tempo predestinado para sofrer as demoras, mas, uma hora ou outra, alguma coisa inédita acontece e você acorda por dentro.  Daí você recolhe as lágrimas num pote e rega o coração do seu próximo, lava as lamúrias dele e todas as suas insatisfações.  É isso, a gente tem que replicar o que de bom nos acomete.  Um dia a coisa mais bonita da sua vida vai acontecer e você não acreditará, mas abraçará com o peito o que de lindo Deus lhe serviu.  Então abra um sorriso, pisque pra realização.  Você pode ir além, agradeça e Amém! 


(Ju Fuzetto)

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Ir embora.




Internamente acredito que ir embora foi meu maior ato de coragem, dada a situação toda. 
(Ju Fuzetto e Maria Fernanda Probst)

Haja versos e canções.


Vamos colher as vitórias e, se vierem derrotas, seremos heróis em dobro. Vamos usar capa de aço diante das coisas duras da vida, dos falsos prazeres que a ganância atribui aos nossos dias. Vamos ser de açúcar diante das delicadezas, dos sonhos e motivações. E que haja versos e canções para delinear a beleza que envolve cada coração.

 (Ju Fuzetto)

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Uma hora acontece.

Temos um tempo predestinado para sofrer as demoras, mas, uma hora ou outra, alguma coisa inédita acontece e você acorda por dentro.

(Ju Fuzetto)



Tudo o que desejarmos, em algum momento iremos receber. Por vezes, coisas acontecem e não encontramos explicações para tal. Mas se pensarmos bem, lá no passado, isso foi desejado e a sementinha jogada no Universo, leva tempo para germinar! Nada acontece por acaso...

(Andréia Hermann)

Siga.



Tenha fé em você, senão dezembro nada acrescentará. É hora de refazer as malas, de jogar fora os trapos que não aquecem o coração. Siga a esperança, siga o fluxo que alavanca a emoção. Siga.. 

(Ju Fuzetto)

domingo, 8 de dezembro de 2013

Mais pedra que papelão.


Talvez hoje eu possa ser melhor que ontem. Aqui dentro existe uma pessoa bem real, que gosta de viver com o coração saltando pela boca, sempre. Que gosta de chorar com a alma limpa. Bato no peito e grito que agora tudo é de aço, inquebrável. Porque sinto aquela vontade de gritar. Que passou, que hoje sou assim, mais pedra que papelão. Já cai de cabeça e quebrei tudo; hoje está tudo restaurado, sem neuras. E se precisar de mim, sem exigências habituais, eu posso ser a mesma sem ser exatamente igual. Os mesmos olhos ainda brilham tanto. Ainda fico sorrindo à toa e às vezes posso voar. (...) 

(Ju Fuzetto)

sábado, 7 de dezembro de 2013

Cuidado, moça.


Cuidado ao carregar todos os pesos do mundo nas costas magras e frágeis. Cuidado ao engolir todas as amarguras lançadas no ar, cuidado ao interagir com uma dor que não lhe pertence.  Cuidado, moça, cuidado com o alicerce mal acabado, com as rugas que se amontoam na face e na estrada que envelhece ao ser trilhada todos os dias.  Tente um caminho novo, arranque a poeira dos olhos, enxergue novamente, acelere o passo sem querer andar com pessoas na garupa do seu pequeno peito dolorido.

Explique-se ao destino, peça perdão aos falsos sonhos e recue quando atingir o limite. 

(Ju Fuzetto)

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Foi necessário.


Fechei os olhos, abri os braços e voei. Deixei que as asas me levassem ao encontro de cada incerteza que estava pendurada em algum cabide do passado. Estanquei sentimentos que sangravam, mandei que a razão tomasse conta dos desejos. Foi necessário, dolorido, mas essencial.

 (Ju Fuzetto)

domingo, 1 de dezembro de 2013

A vida.


A vida é aquilo que te faz chover nos olhos pra mais tarde te secar. É espetáculo sem palmas, é o abraço do vento no teu rosto sem avisar. É o caderno em branco, pedindo o sopro das linhas em azul. É guache nas mãos e paz no coração. 

(Ju Fuzetto)

terça-feira, 26 de novembro de 2013

A hora é agora.


Explique-se ao destino, peça perdão aos falsos sonhos e recue quando atingir o limite. 
É hora de reinventar aquela velha história, viver um grande amor, saltar de Bungee jump, deitar na grama e receber as bênçãos. 
Cuidado, cuidado com o preço que você terá que pagar se, ao longo da vida, você temer jogar tudo pro alto. 
A hora é agora, o tempo não é seu, Deus comanda, mas você só tem essa vida, portanto, viva.

(Ju Fuzetto)

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

O que nunca foi.


Onde quer que eu vá, Madri, Barcelona, na esquina, Santa Catarina, ou do outro lado da rua, por onde eu siga, levarei tua voz, tuas rimas engraçadas, teu riso.
Levarei teu beijo grudado no pensamento, levarei teu corpo embalado na vontade de nunca te esquecer. Levarei um pouco da tua história, do jeito bandido, ora bendito que foste em minha vida.
Levarei dúvidas congeladas pra servir em noites quentes, levarei certezas, uma porção delas. Levarei a saudade, a maldita que me matará em noites de lua cheia.
Levarei teu bronzeado pra mesclar na brancura que me veste. Levarei  o teu jeito de me tocar por dentro.
Levarei o amargo do que nunca foi, mas que poderia ter sido. Levarei você no oco do peito que jamais será preenchido. 

(Ju Fuzetto)