domingo, 30 de dezembro de 2012

o milagre da renovação.



“Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente.”


(Carlos Drummond de Andrade)

No ano novo.


No ano novo, quero me encantar mais vezes. Admirar mais vezes. Compartilhar mais amor. Dançar com a vida com mais leveza. Quero fazer o meu coração arrepiar mais frequentemente de ternura diante de cada beleza revista ou inaugurada. Quero sair por aí de mãos dadas com a criança que me habita, sem tanta pressa. Brincar com ela mais amiúde. Fazer arte. Aprender com Deus a desenhar coisas bonitas no mundo. Colorir a minha vida com os tons mais contentes da minha caixa de lápis de cor. Devolver um brilho maior aos olhos, aos dias, aos sonhos, mesmo àqueles muito antigos, que, apesar do tempo, souberam conservar o seu viço. Quero sintonizar a minha frequência com a música da delicadeza. Do entusiasmo. Da fé. Da generosidade. Das trocas afetivas. Das alegrias que começam a florir dentro da gente. Distanciar-me do que me afasta de mim e aproximar-me mais do que realmente é deleite pro meu coração e é capaz de acender lume nos meus olhos

(Ana Jácomo)



Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.


(Carlos Drummond de Andrade)

Fluescência.



Somos viajantes do balão vida. Rodopiamos e dançamos nos redemoinhos do infinito. Passeamos nas estrelas. Caímos, subimos aos céus, tocamos nas mãos de Deus. Reaprendemos a viver, a lutar. Puxados por nuvens refletidas pelo sol, rumo à lua, rumo ao brilho, à esperança, à certeza de que tudo podemos se deixarmos fluir, assim como o rio e as próprias nuvens a nos levar. Permitimos que o destino trace nosso caminho e seguimos sua rota, como donos de si. Paramos, conhecemos pessoas, amamos e compartilhamos saberes, sentimentos. Somos passageiros de uma vida eterna, de momentos preciosos, somos um parêntese na eternidade. A vida pertence ao que flui, que cai, levanta, aprende, recomeça. Ao que percebe as pequenas coisas, ao que move e ao que busca sua essência.

(Rayana Krambeck) 

sábado, 29 de dezembro de 2012

Doe o teu melhor.


Toda vez que você odeia alguém com todas as tuas forças, automaticamente projeta luz negra dentro do teu coração e as energias negativas emitidas para o outro recaem sobre você. Doe o teu melhor, seja autêntico. Não precisa mandar beijinhos para aqueles que não te agradam, mas, por favor, não mande negatividades, ignore o mal, estabeleça vínculos com pessoas ricas de coração, converse com uma criança, brinque de pique esconde, não se limite. O mundo é redondo sim, mas, infelizmente, é habitado por muita gente quadrada. 


Preste atenção, o mundo não é cruel. Claro, tem muita gente má, mas tem milhares de almas lindas e limpinhas por aí. Almas que acolhem almas, que cuidam, que alimentam a vida da gente de forma doce, suave. Acredite na doçura das pessoas, seja verdadeiro, ame com garra, tenha compaixão daqueles que respiram ódio e transpiram ingratidão. 

(Ju Fuzetto)

cada dia um passarinho no quintal.



A moça é incerta, cheia de dúvidas e lembranças. Ela quer provar todos os pedacinhos de vida ao mesmo tempo. E como é difícil viver uma vida na solidão de si mesmo, no silêncio de tantas perguntas e dúvidas e ao mesmo tempo tão cheia de mistérios e completude. Carrega um baú de amores vividos e vivos ainda. Ah, se o mundo fosse simples... Onde viver um dia de cada vez pudesse ser palpável, viver livre como os pássaros. Sem culpa, sem medos, sem julgamentos. Cada dia um passarinho no quintal, provando a beleza da vida. 

(Rayana Krambeck)

somos todos ilhas num mar comum.



"Quando somos estranhos para nós mesmos, nos tornamos estranhos para os outros também. Se não estamos em contato com nós mesmos, não podemos estar em contato com os outros.”
Em algumas (ou várias) fases da nossa vida, nos pegamos perdidos, sozinhos e em busca de algo que nos preencha. Na verdade estamos buscando o nosso verdadeiro eu, o equilíbrio entre corpo e alma, Universo e Deus.
Nesta fase, por coincidência ou não, começam a aparecer provações: pessoas com as quais convivíamos há tempos ressurgem de uma maneira tão mais forte, bonita e sincera, que é como se estivessem sempre presentes. Começamos a observar mais nossos relacionamentos com amigos, família, companheiro. Sentimos mais necessidade do amor verdadeiro, de boas energias, daquilo que nos completa  e nos pegamos mais sensíveis. À essa fase, damos o nome de “Travessia” “... e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos, como diz Fernando Pessoa.
Fase de incertezas, aprendizado, crescimento e tudo o que precisamos nos é colocado a vista. E apenas se tivermos a sabedoria de interpretar e aceitar certos momentos, conseguiremos atravessa-los e tirar a lição de cada acontecimento. Nesta fase, Deus nos pede mais coragem e com isso, crescemos. E cada conversa, cada pedacinho da vida, um bom livro, um olhar diferente sob uma situação, um sorriso, um abraço ou gesto, uma lágrima, um fim de tarde observando o horizonte e os mistérios da vida, o estar consigo mesmo nos faz pensar e acordar para as respostas que o próprio Universo emana e não temos a capacidade de ouvir se não tivermos em contato com nós e os acontecimentos, de forma tranquila e aberta.
Às vezes é necessário darmos atenção à solidão, para sentirmos mais inteiros de nós, mais completos e em harmonia. A nossa companhia é necessária, e ela só é encontrada na solitude, afinal somos todos ilhas num mar comum e apenas quem se perdeu é capaz de se reencontrar."

 (Rayana Krambeck)

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

chutar o balde.



Tem hora que é imprescindível chutar o balde. Tem hora que é fundamental deixar a verdade nua e crua vir à tona. E você passa a achar que não tem vocação pra ser legal o tempo inteiro. E é verdade. Ninguém tem. É cansativo. Desgastante. Já somos legais à beça por tentar. Tem gente que nem isso.

(Martha Medeiros)

tudo o que vai, deixa de ser.



Quando juntei pedaços de mim que ficaram expostos ao sol, aprendi que tudo o que vai, deixa de ser por alguma razão. Eu mesma, deixei de ser outras tantas vezes, quando apenas queria ser. O que guardei comigo, era preciso que ficasse. Ah! E ficaram, ficou tanto de ti. Foram tantos que criaram raiz, que caminharam junto comigo, que me foram (e são) caros.
Ouço a pressa com que os ponteiros se movimentam. Os segundos tornam-se minutos numa rapidez, rispidez, sem dó alguma de mim, de nós, dos nós que nasceram junto conosco. Os minutos fazem-se horas como num passar de mágicas. Numa tentativa de resgatar o tempo, eu contrario a órbita do mundo. Fecho os olhos, respiro fundo, me transformo em flor, recupero o fôlego, brotam pétalas, reinvento-me. Volto inteira, volto juntando os cacos que ficaram, jardins floresceram naquele lugar.
Num gesto de delicadeza e entrega, tua mão vem ao encontro da minha, e se estende um laço, acontece a troca, energias que se formam uma. Tua presença traduz sensação de bem-querer, aconchego, lugar bom de morar. Entre braços e abraços, te encontro ao meu lado. Entre carinhos e afetos você se manifesta pra mim. Entre palavras e canções, você é melodia bonita.
Que a nossa alma respeite o tempo, o mesmo do início, das conversas longas e primaveris. Da doçura do encontro, do afeto, dessa 'coisa boa' que paira no ar, no mar, na sala, no quarto, na cozinha, nos sorrisos desprendidos, no entendimento, por vezes mal entendido.
Que o nosso caminhar possa desenroscar os nós, e que, se o vir-a-ser deseja ser (com redundância), comece desde já a tecer o inesperado tão esperado. Que você entenda meus silêncios, meus momentos, essa peregrinação, busca, encontro de mim.
Respiro fundo - mais uma vez - solto o verbo, a voz, dou vez ao sentir, perfume de dentro que se expõe. Que coisas boas cheguem a mim, a ti, e que juntos saibamos bordar nossas almas naquele instante, tecido do tempo. Que o cafuné, as rimas de Amor e os versos prontos, tão inusitados como se fossem, percebam que a delicadeza não está apenas na nudez dos corpos, quando nús se reconhecem, mas no coração, que reveste vontade bonita de crescer, de estar ali, lúcido, florido, exatamente como ele deve ser.

Que o compasso do meu passo encontre o teu andar, e que este propicie o encontro dos dois. 
 
(Bibiana Benites)

angústia de errante e aprendiz de boa moça.


Nem sempre levanto de bom humor, com uma pele linda e reluzente. Nem sempre consigo fornecer sorrisos e bons fluídos ao meu próximo na proporção que deveria.


A vida ás vezes é meio malandra, incerta e nem um pouco cômoda. Cansei de querer acertar o passo a todo custo. Caminhar em linha reta nunca foi meu ponto forte, até na escrita cambaleio, me dou ao luxo de escorregar, de desafiar as letras com toda a minha angústia de errante e aprendiz de boa moça.


(Ju Fuzetto)

o show não pode parar.



Eis que chega o tão temido e assombroso fim dos tempos, a data programada para o final de tudo... E acontece que o mundo não acabou. O mundo não acabou simplesmente porque o show não pode parar, existem muitos sonhos a serem realizados, segredos a serem descobertos, caminhos nunca dantes palmilhados esperando avidamente por você! O mundo não acabou, pois a magia ainda está no ar, e muitas emoções ainda deverão fazer palpitar o seu coração, vivenciadas em toda sua plenitude. O mundo acaba sim, mas não em uma data específica, acaba todos os dias para aquele que deixa de sonhar, de acreditar na possibilidade de ser feliz e ignora as manifestações da magia da vida. Que tal acabar com o mundo? Isso mesmo, acabe com o mundo caso não esteja sentindo o poder da magia em seu coração, recomece, renasça, pois ainda há tempo de ser feliz, e lembre-se sempre que:Você é o ator principal do espetáculo da vida e o show não pode parar!
(Baldur Lux)

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Sabedoria Celta



Que jamais, em tempo algum, o teu coração acalente ódio.
Que o canto da maturidade jamais asfixie a tua criança interior.
Que o teu sorriso seja sempre verdadeiro.
Que as perdas do teu caminho sejam sempre encaradas como lições de vida.
Que a musica seja tua companheira de momentos secretos contigo mesmo.
Que os teus momentos de amor contenham a magia de tua alma eterna em cada beijo.
Que os teus olhos sejam dois sóis olhando a luz da vida em cada amanhecer.
Que cada dia seja um novo recomeço, onde tua alma dance na luz.
Que em cada passo teu fiquem marcas luminosas de tua passagem em cada coração.
Que em cada amigo o teu coração faça festa, que celebre o canto da amizade profunda que liga as almas afins.
Que em teus momentos de solidão e cansaço, esteja sempre presente em teu coração a lembrança de que tudo passa e se transforma, quando a alma é grande e generosa.
Que o teu coração voe contente nas asas da espiritualidade consciente, para que tu percebas a ternura invisível, tocando o centro do teu ser eterno.
Que um suave acalanto te acompanhe, na terra ou no espaço, e por onde quer que o imanente invisível leve o teu viver.
Que o teu coração sinta a presença secreta do inefável!
Que os teus pensamentos e os teus amores, o teu viver e a tua passagem pela vida, sejam sempre abençoados por aquele amor que ama sem nome.
Aquele amor que não se explica só se sente.
Que esse amor seja o teu acalento secreto, viajando eternamente no centro do teu ser.
Que a estrada se abra à sua frente.
Que o vento sopre levemente às suas costas.
Que o sol brilhe morno e suave em sua face.
Que respondas ao chamado do teu Dom e encontre a coragem para seguir-lhe o caminho.
Que a chama da raiva te liberte da falsidade.
Que o ardor do coração mantenha a tua presença flamejante e que a ansiedade jamais te ronde.
Que a tua dignidade exterior reflita uma dignidade interior da alma.
Que tenhas vagar para celebrar os milagres silenciosos que não buscam atenção.
Que sejas consolado na simetria secreta da tua alma.
Que sintas cada dia como uma dádiva sagrada tecida em torno do cerne do assombro.
Que a chuva caía de mansinho em seus campos...
E, até que nos encontremos de novo.
Que os Deuses lhe guardem na palma de Suas mãos.
Que despertes para o mistério de estar aqui e compreendas a silenciosa imensidão da tua presença.
Que tenhas alegria e paz no templo dos teus sentidos.
Que recebas grande encorajamento quando novas fronteiras acenam.
Que este amor transforme os teus dramas em luz, a tua tristeza em celebração, e os teus passos cansados em alegres passos de dança renovadora.
Que jamais, em tempo algum, tu esqueças da Presença que está em ti e em todos os seres.
Que o teu viver seja pleno de Paz e Luz!

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

As 4 Leis Espirituais Ensinadas na Índia.



1. "A pessoa que vem é a pessoa certa."

Significa que ninguém está em nossa vida por acaso. Todas as pessoas ao nosso redor estão interagindo conosco. Há sempre algo que nos faz aprender e avançar em cada situação;

2. "Aconteceu a única coisa que poderia ter acontecido."

Nada, nada, absolutamente nada que acontece em nossas vidas, poderia ter sido de outra forma, mesmo o menor detalhe... Você pensa: "Se eu tivesse feito tal coisa"... Na verdade, aconteceu tudo que poderia mesmo ter acontecido e foi para nossa evolução para seguirmos em frente. Tudo que acontece na nossa vida é perfeito;

3.  "Toda vez que iniciar algo, é o momento certo."

Tudo começa na hora certa, nem antes, nem depois. Quando estamos prontos, é o momento em que se inicia algo;

4. "Quando algo termina realmente, aceite."

Simplesmente assim, se acabou, foi para nossa evolução. Um novo ciclo se inicia e é hora então, de seguirmos em frente para nos enriquecermos com novas experiências.

"Se um dia tiver que escolher entre o mundo e o amor e, preferir ficar com o amor, esteja certo que com ele você conquistará o mundo"

Peço ao bom anjo.



É tão decepcionante perceber que pessoas que você convive possam passar a ser tão (in)diferentes. Não sei mais se semelhante atrai semelhante, sei agora que pode haver exceções (ou destino, talvez). Pessoas que se mostravam de um jeito positivo no início da relação possam estar servindo apenas de artistas na sua vida. Eu sou, e vou continuar sendo - otimista, querendo viver cada gota da minha vida na medida que posso, aproveitar meus dias e as pessoas que amo o máximo que puder, ser clara, sincera e mesmo assim continuar com meus medos de não ter coragem de dizer a verdade para não magoar. É certo que para ser tudo isso, dependemos também de quem está em nossa vida. Por isso, peço ao bom anjo que me proteja de gente diferente de mim e de más energias, e me traga apenas quem possa dividir os mesmos momentos comigo, sempre. Peço que me mostre o caminho e me dê sabedoria para distinguir as pessoas certas das erradas, e acima de tudo me dê coragem para poder abraçar uns e me virar para outros. 

(Rayana Krambeck)

As palavras.



"No fim das contas, as palavras não passam de vento."

(R.R.Martin in “Fúria de Reis)

sou o que sou.



Tenho um mundo grande. Sonhos maiores ainda. Carrego nos olhos a suavidade de um sentir desajustado. Sou o que sou. O que fui não interessa. O que resta é essa normalidade exagerada que não se limita. Finjo ser normal. E não convenço. Brinco de ser menina, arco-íris, luz e purpurina.
(Ju Fuzetto)

quando a leveza do outro nos salva.



O coração recosta no tempo e descansados, recomeçamos. Nesse momento - quando a leveza do outro nos salva das nossas fraquezas mais bobas - entendemos melhor o valor desses amores que tentamos definir diariamente, sem nunca conseguir. Entendemos que daqui para qualquer lugar melhor, é só um pensamento (positivo). Entendemos graças a tudo o que nos move e a Mão que tudo sustenta, que viver é para quem gosta de dar sempre um pouco mais de si, sem avareza no partilhar das sementes.

(Priscila Rôde)

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

A vida só se dá pra quem se deu.


"Quem já passou por essa vida e não viveu
Pode ser mais, mas sabe menos do que eu
Porque a vida só se dá pra quem se deu
Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu "

(Vinícius de Moraes)


"Uma a uma, minhas folhas caem; Uma a uma, minhas histórias são contadas."

(Enya)

Ficar em paz.



Respire profundamente algumas vezes e diga:
"Estou disposto a deixar ir. Eu solto. Eu deixo ir. 
Solto toda a tensão. Solto todo o medo. Solto toda a raiva. 
Solto toda a culpa. Solto toda a tristeza. Deixo ir todas as minhas velhas limitações. 
Deixo ir e estou em paz. Estou em paz comigo mesmo e com o processo da vida. 
Estou em segurança. Estou em paz."


(Louise Hay)

Tenho coração, não CPU.



Não vou me vestir de insignificâncias só pra mostrar pro mundo que sou melhor ou pior. Não me escondo da vida, me mostro pra ela com leveza e verdade. Quero tocar no coração das pessoas, com as mãos. Quero massagens de simplicidade na alma. Quero cócegas, quero mais do que esse mundo irreal tem pra oferecer. Eu sou inteira e ao mesmo tempo tão limitada. Não me comporto bem diante do que não me toca, daquilo que não me faz desatinar. Eu preciso ser ouvida, eu gosto de ouvir. Gosto da conexão entre o toque e o abraço. Web cam? Pra quê? Não quero ver o superficial. Ele não me prende, não fascina. Eu gosto de olhar o que tem por dentro das retinas. Tenho coração, não CPU.    

             
(Ju Fuzetto)

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Entregue-se ♫



Eu me entrego pros dias de sol
Pra camisas de banda e até pra chocolates
Ou filmes de romance esquecidos na estante
Pros perfumes que deixam boas lembranças
Pras risadas que me tiram todo o ar
Às cores vibrantes do seu tênis
Que caminham em minha direção
Caminho devagar, se o tempo for bom
Não pense muito
No fim, tudo se adapta
Se alguém te deixou cego
Não questione, simplesmente vá
Se o errado pra mim for o certo
Eu não me importo
Se o errado pra mim for o certo
Eu não me importo, eu me entrego
Eu me entrego à sua bagunça na minha sala
A um bom livro antes de dormir
Ao hoje, ao agora e ao talvez…
Ao compromisso de realizar meus sonhos
Desapego até dos meus esconderijos, aos berros
Deixe a deixa aberta, aperte um sorriso
Num mundo colorido pra que viver apenas uma cor?
À música estrondosa, à casa vazia
Chão gelado e silêncio interior
Às bocas vermelhas, às meias de lurex
Às unhas compridas, tudo junto, só se for
Se o errado pra mim for o certo
Eu não me importo
Se o errado pra mim for o certo
Eu não me importo, eu me entrego
Eu me entrego apenas quando souber
Que o que iremos passar vai ter valido uma canção
Meia hora a mais na cama na segunda-feira
Um dia chuvoso bem embaixo do edredom
Ao colo de quem me aceita assim
A tudo que puder antes que a cortina feche
Até de malas prontas, me arrisco a compor
De um jeito que ninguém sabe
Sem sonhar com os pés no chão
Entregue-se àquilo que te faz sentir
Entregue-se àquilo que te faz...

(Tiê)

domingo, 9 de dezembro de 2012

Construo meu mundo.



Construo meu mundo para aconchegar quem dentro dele aguentar ficar. Recebo os convidados desta dança chamada Vida. Sei dos percalços, dos dramas e melodramas desta gente toda que nunca se cansa de acreditar. E respiro, inspiro.

(Ju Fuzetto)

Aí eu vou seguindo assim.



Sempre quis ser leve moço, sempre quis. Muitas vezes pareço um balão que sobe sem rumo, esgotado por acomodar as incertezas mundanas.
E dos caminhos que eu percorri, tentei carregar comigo só o que me trazia paz. Em vão. Impossível passar por essa vida, sem alguns arranhões na alma. Impossível querer ser pluma, sem esbarrar nas tolices que se esfumaçam por entre o céu e o inferno de sentir muito. E sinto. Demasiadamente, em cada pedaço desse meu corpo que por tantas vezes se estraçalha entre um amor e outro.

Aí eu vou seguindo assim. Colecionando saudade, e vontades envelhecidas, esquecidas num cantinho qualquer de mim. E tento fugir de mim mesma na esperança de diminuir um pouco o peso de ser eu. Não consigo. Arremesso o passado de cima das nuvens, jogo cartas com os anjos, peço perdão por ser tão egoísta, por ser dona de uma tonelada de inquietudes e divergências sentimentais. Sou pesada demais, carrego nos meus pequenos ombros toda a impaciência das linhas que doem, onde cada vírgula é um ontem ou nunca mais.


(Ju Fuzetto e Karla Tabalipa)



sábado, 8 de dezembro de 2012

Me encontro perdida...


...ah, essa mulher, essa menina 
- precisava sair daqui deste planeta que, 
tão freqüentemente,
 parece não comportar
 a sensibilidade.'

(Caio F. Abreu)


 Não tenho medo das respostas, tenho preguiça de diálogo - monólogo - interior. Me encontro perdida em um mundo além das minhas janelas...

(Renata Fagundes)

não paro, não desisto, apenas rezo.


 Dá vontade de ser livre. Dá vontade de ser sopro. Dá vontade de ser e pronto.


E vou rezando, pedindo força, fé e uma bagagem emocional gigante para acomodar o que não me cabe e transborda. Excluo o que não agrega o que não faz bem. Agradeço pelo dom da vida, da escrita e peço perdão. Afinal sou tão falha, tão humana e dolorida. Aprendo aos poucos, com os atalhos que Deus coloca a minha frente e não paro, não desisto, apenas rezo.

(Ju Fuzetto)

ser humana.


Nunca fui um anjo de bondade, mas sei o endereço que minha alma realmente procura. Simplicidade, quero encontrar nela minha arma e meu selo de maturidade diante da fé desacreditada. E acredito piamente em cada passo que se distancia da nebulosidade que aflige os olhos.


Não preciso ser boa o bastante pra ganhar o mundo, mas preciso ser humana além dos limites pra alcançar outras esperanças.

(Ju Fuzetto)

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

o incompreensível.



"Olho para trás e vejo aquela menina que queria entender tudo, com medo de que não coubesse tamanha quantidade de informação dentro de si. Coube e ainda cabe. E quanto mais entra, mais sobra espaço para a dúvida. Compreendo hoje que nunca entenderei a morte, os sonhos, a sensação de dejá-vu e as premonições. Nunca entenderei por que temos empatia com uma pessoa e nenhuma com outra. Não entendo como o mar não cansa, nem o sol. Não compreendo a maldade, ainda que a bondade excessiva também me bote medo. 
(Martha Medeiros, do livro "Non-Stop", Crônica do Incompreensível)

A vida é uma maratona inversa.



Claro que também acerto, sei me fingir de estátua quando o mundo parece rodopiar. Minha maior qualidade é carregar a verdade nos ombros e algum brilho no olhar. Choro com facilidade, mas garanto que tristeza não me cabe.


Vale a pena seguir em frente, mesmo que os pés se fixem num único lugar. Arraste-se quando for preciso, mas por favor saia do lugar comum. A vida é uma maratona inversa. Quem muito corre acaba sem fôlego, ainda acredito na técnica "devagar e sempre".

(Ju Fuzetto)

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Eu não sou legal.

Eu não sou legal, não mesmo. Sorrio para disfarçar desconfortos. Se eu não gosto de você é bem provável que você tenha medo do meu olhar. E eu posso simplesmente não gostar de você de graça. Se eu gostar de você aviso de antemão que você é uma pessoa de sorte. Eu me entrego. Quem vive comigo sabe. Quem convive comigo sente. Eu amo poucos. Mas esses poucos, pode apostar, amo muito.


Tem gente que se vangloria por dizer tudo que pensa. Mas a vida me ensinou que isso não leva a nada e só gera atrito gratuito. Muitas vezes, o melhor a fazer é justamente NÃO dizer tudo que a gente pensa. Não é à toa que existe aquele ditado "Deus nos deu uma boca e dois ouvidos.

(Clarissa Corrêa)

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

perita em assassinar maus pensamentos.


Sou perita em assassinar maus pensamentos e corto volta de gente que usa da maldade pra subir na vida. Minhas costas não possuem largueza, nem grades contra o mal, muito menos holofotes que indiquem alguma fortaleza, mas meu riso miúdo se alastra conforme avanço diante de qualquer mal que me açoite, ou qualquer sujeira terrena.


Todos os dias me esforço, faço votos que eu consiga absorver apenas as lindezas que me rodeiam, peço a fada madrinha que não me iluda com falsas poções de otimismo, pinto as divergências com ironia e danço pra não me sentir uma múmia.

(Ju Fuzetto)

Formas subjetivas de amar.



...Há formas subjetivas de amar, não refletidas em gestos ou sacrifícios. São formas egoísticas, talvez. Nem por isso menos válidas.
Aquele silêncio, por exemplo, em casa, com a mulher (ou com o marido), com a mãe ou com o pai. Aquele silêncio machuca quem nos espera alegres, faladores, contando as batalhas e peripécias da vida. E, no entanto, cheios de coisas para contar, nada sai. Ou sai pouco. “Sins”, “Nãos”, frases sintéticas, e um ar irritado, pressa para acabar o assunto. Parece desamor. E de fato é egoístico. Mas é preciso aceitar que há ou pode haver uma forma especial de amor naquele silêncio, naquela irritação. No exercer- exatamente ali - aquele tédio e aquele cansaço.
Ouso uma tradução para aquele silencio: “Minha mulher, ou meu marido, ou minha amante, ou minha amada, ou minha namorada, ou minha mãe ou meu pai ou avô, tio, avó, sogra etc.: eu a/o amo tanto, que a você eu posso entregar o meu cansaço, o meu silêncio, a minha necessidade de ficar um pouco calado, nada contar, não falar, não ser solicitado. Eu estou aqui a seu lado como quem pede socorro em silêncio, na suposição e esperança de que aqui ninguém exija que eu fale, conte ou me defenda, que eu seja brilhante, que eu seja bom etc.. Eu vim aqui homenagear você e o seu amor com o meu silêncio, o meu cansaço e o meu egoísmo, porque você saberá entendê-los.
Esta é a tradução que sugiro para tanto vazio que parece desamor. Somos capazes de fazê-la a cada situação real de silêncio do outro que nos soa a desamor ou rejeição?
Pelo menos cinqüenta por cento dos problemas e sentimentos de rejeição derivam da má tradução de certas atitudes que parecem indiferença ou desamor. É por dar ao outro a certeza de que nos sabemos amados e queridos que nos sentimos autorizados a ser chatos, cansados, entediados, silenciosos e egoístas com ele para que parceiro/a ou parente ou amigo tenha a certeza do que nós sentimos por ele e de que o amamos. Com quem nos ama sentimo-nos à vontade para exercer nossos impulsos menores, desprezíveis ou primários.
Injusto? Claro que é! Justamente quem nos ama, por suas carências e necessidades, talvez seja quem mais precise do nosso gesto, afeto, ou palavra. Ao reagirmos assim, estamos esquecendo das necessidades daquele que nos ama. E se ele é do mesmo estilo (mais sentimento do que gesto) vai entender. Mas se é do estilo inverso (gesto e atitudes que concretizem os sentimentos) acabará em cobrança, por que ele quer receber da mesma forma pela qual doa. E não recebe.
Amor e amizade são relações feitas e alimentadas de injustiças superadas. É impossível a permanente coincidência de necessidades complementares.
Uma das percepções mais difíceis é a da dimensão do amor do outro por nós, numa medida em que nem ele próprio percebe. É preciso aprender a se relacionar com essa dimensão oculta, para não ficarmos infelizes com as respostas que não vierem, com os silêncios que substituírem conversas, com as ausências e egoísmos que nos rejeitarem.
O ser humano (estranhamente) comporta-se de forma pior com quem gosta, porque quem gosta acaba compreendendo. É preciso desenvolver o senso de percepção do sentimento por nós, não manifestado pelo outro. É mister buscar ou captar esse sentimento no desvão onde vive escondido ou no silêncio no qual se disfarce.
Há pontos do sentimento por nós ou do nosso sentimento pelo outro que não precisam ficar claros para existir. Eles existem a despeito. Quem sente o silêncio, o tédio, o cansaço e o desabafo do ente querido precisa começar a descobrir o que se agita, esconde ou emociona dentro da atitude que o fere. Ou se sabe, tem grande dificuldade de transformar em gesto (o gesto que faz tanta falta a quem dele necessita) tudo o que sente.
É preciso enorme compaixão e incomensurável carinho por todos que nos doam o seu amor através da esperança de que sejamos suficientemente fortes para receber e aceitar o seu silêncio, o seu cansaço, o seu tédio e a sua depressão. O enigma do amor inibido de manifestar-se não é simulacro de desamor, tédio ou antipatia, quando é, apenas, atrofia da expressão amorosa, limitação inexplicável mas insidiosa de quem ama sem saber amar.

(Artur da Távola in O amor silencioso do livro: Do amor - o ensaio do enigma)