Nos seus olhos - Nando Reis
Deixa fluir, deixa correr, liberta, solta, flutua, afoga, acorda, renasce, renova, muda... mas não perca sua essência!
sexta-feira, 12 de julho de 2013
Pelo menos.
Pelo menos ficaram boas lembranças que mais parecem uma boa espreguiçada na memória nostálgica e típica de quem um dia desembarcou o coração na alegria do afeto. Pelo menos deixamos a solidão em banho-maria na certeza do inesperado nos reencontrar.
Pelo menos adiamos o confronto com a verdade que desnudava o humor matinal. Pelo menos era inverno e adormecemos no abraço. Pelo menos a gente cruzou o olhar. Pelo menos nossas frequências se suportavam e as nossas mesmices combinavam e abrigavam tentativas de mudanças. Pelo menos nossos intervalos não eram egoístas e respeitavam o tempo.
Pelo menos fez sol em nossos encontros e chuva nos descansos necessários de nós mesmos. Pelo menos nossa desordem bebia no mesmo copo e se ajeitava quando era necessário. Pelo menos a insônia era passageira, a harmonia constante e a provocação um bom motivo para os impulsos de sentimentalismo, mesmo barato, mas feito sem nenhuma obrigação.
Pelo menos o presente era íntimo de nós, o futuro era próximo e o talvez apenas uma vaga ideia no dicionário.
Pelo menos tudo acontecia sem pressa, as despedidas eram adiadas e o rigor da doação batia ponto de segunda a segunda.
Pelo menos tínhamos para onde ir ao final da tarde. Pelo menos tínhamos sempre encontro marcado com nossa subjetividade. Cada minuto era eterno. Cada carinho, único. Cada palavra amparada pelo aconchego interpessoal. Pelo menos nosso verbo era corajoso, não pressentia perguntas e agia sem muito questionar.
Pelo menos alguém batia a porta todos os dias. As esperas não eram em vão. Pelo menos havia pés para serem aquecidos, mãos para serem tocadas. Um coração para ser ocupado. Entusiasmos para acelerar a paixão. Palavras para serem ditas. Olhares para serem trocados. Pelo menos havia sorrisos no ar. Horas para serem gastas. Pelo menos vivíamos sem anestesia. Sem medo. Sem pudor. Sem ranço. Sem medida. Sem hemisférios. Sem depois. Pelo menos tudo era pra hoje.
Pelo menos eu estava habilitada para esse amor e nunca resisti o tempo que ele durou.
(Ita Portugal)
Uma nota.
Uma nota: às vezes as pessoas me assustam.
duas notas: nem pelo que dizem, nem pelo que fazem
— mas pelo que calam.
(Maria Fernanda Probst)
A gente sempre sabe.
"A gente sempre sabe quando o fim está próximo mesmo antes dele chegar. Assim como a gente sabe que está pra chover, o desapego também deixa sinais. É o telefone que perde a frequência, o assunto que desaparece. A gente sempre sabe quando já perdeu. A questão é que ninguém está pronto pra dizer adeus."
(Querido John)
domingo, 7 de julho de 2013
Eu sou presente.
A quem possa interessar, eu continuo aqui, mas exorcizei as promessas vazias, os amores de verão, a sinceridade com máscara enganosa. Consola-me saber que não me perdi no caminho. Alegra-me a confirmação de que, de pedaços em pedaços, não sobrou um caquinho das ilusões do passado. Agora, eu não presto mais atenção no passado, que junta mofo sentimental. Eu sou presente. Estou me deixando ser feliz.
(Ita Portugal)
sexta-feira, 5 de julho de 2013
A gente vai aprendendo .
Não vou negar que por alguns momentos fiquei vendo
momentos da minha vida passarem pela janela. E eu ficava ali, observando,
atônita, paralisada, sem coragem de agarrar as oportunidades com determinação.
Mas uma hora alguma coisa me chacoalhou por dentro, me balançou, me fez abrir
os olhos e entender que tudo é passageiro. Hoje eu sou uma e amanhã posso ser
outra. A gente vai aprendendo com o tempo, os dias, as marés. E esse
aprendizado vira marca, vira tatuagem, vira história de vida.
(Clarissa Corrêa)
Quantas coisas já perdi por medo de perder. Por
orgulho bobo, medo de ouvir um não. Já passei por momentos incríveis sem tê-los
vivido na sua totalidade. Faltou coragem, e eu que pensava que era tão intensa
e determinada. Faltou tudo. Não estou aqui para dizer que me arrependo de
momentos vividos, mas sei que poderiam ter sido diferentes. Hoje, entendo que
tudo tem um significado maior, e que existe uma mão que nos guia e que podemos
seguir nosso coração se aceitarmos, sem medo e sem amarras. Que sigamos em
frente e que a gente se entregue por inteiro à vida que nos espera!
(Rayana Krambeck)
"decifra-me ou devoro-te".
A teoria do "decifra-me ou devoro-te" não é válida para mim. Seria hipócrita pedir que alguém me decifre quando nem eu mesma sou capaz de fazê-lo.
(Beatriz Zanzini)
quinta-feira, 4 de julho de 2013
Agora sou leve.
(...) Eu aprendi a andar. Desde
então, passei por mim a correr. Eu aprendi a voar. Desde então, não quero que
me empurrem para mudar de lugar. Agora sou leve, agora voo, agora vejo por
baixo de mim mesmo, agora um Deus dança em mim!
(Friederich Nietzsche)
Felicidade.
Quero, antes de qualquer outra razão, me
sentir feliz por encontrar descanso e contentamento no meu coração. Por tocar
com o sentimento a preciosidade da vida. Por saber que existem coisas para eu
realizar enquanto estou por aqui. Por acreditar que a maior proposta da ideia
humana é a felicidade.
(Ana Jácomo)
quarta-feira, 3 de julho de 2013
Tropeços nossos de cada dia
Se a nossa memória afetiva funcionasse de verdade, perderíamos menos tempo com os detalhes e prestaríamos mais atenção na essência das coisas. Histórias duram anos, meses, dias, horas ou minutos. Estágios de alegria passam mais rápido do que imaginamos. Dores são curadas, se quisermos, em espaços rápidos, com uma dose de remédio. Perdas acontecem diariamente. Ganhos também. Recomeço acontece a todo instante.
A gente perde muito tempo estacionada em garagens vazias e escuras de memórias passadas, do que vivendo o presente com seu sol ou nuvens de chuva. E a gente perde tempo recapitulando lições antigas, enquanto há lições novinhas em folha que nem foram folheadas.
A gente engancha o sapato, atola o tênis em histórias, evitando o fluxo normal do tempo. Supervalorizamos o que se foi, e esquecemos o que virá. E vem, pode apostar. Vem para todo mundo.
Geralmente nos apegamos em vírgulas, que representam tão pouco, enquanto deixamos as frases inteiras a revelia. É o pedacinho, o fragmentozinho que nos incomoda. A comida ficou perfeita, mas o prato era meio velho. O vestido é lindo, apenas é amarelo, cor que não simpatizamos.
As margaridas estão todas abertas no jardim, mas o dia lá fora chove.
São os detalhes, farelos pequenos, ridículos, que alteram o nosso modo de viver. Nosso olhar microscópico enxerga os farrapos, enquanto o sol continua brilhando.
Somos capazes de deixar, um tropeção causar ardor no nosso dia. Somos capazes de não enxergar com nitidez o jeito bacana que a vida olha para nós.
(Ita Portugal)
terça-feira, 2 de julho de 2013
Te amo.
Te amo. Perdoe o erro gramatical. Eu sei, eu aprendi na escola, no cursinho, na faculdade, nos livros, na PQP que não se inicia oração, frase, período com a porra do pronome oblíquo átono, mas não há outra frase que eu posso utilizar para expressar o que sinto. OK, eu poderia falar “amo-te”, mas seria certo demais e desta vez, pelo menos desta vez, eu não quero ser certa em nada. Cansei. Sim, eu cansei de ser a menina certa que faz tudo certo e que todos admiram por isso. Desta vez eu quero errar, quero mergulhar no mar que eu sempre evitei, quero rasgar a cara, quebrar os dentes, tudo para que você saiba o quão importante é pra mim.
Eu lhe evitei em tantos planos, te engoli entre meus prantos, mas parece que você quer rasgar o que em mim está entalado há tanto tempo. Parafraseando uma música linda do Teatro Mágico, “você me bagunça, tumultua tudo”, não tem como fugir. Eu juro que tentei. Sério. Eu sempre fui “fortona”, não é? Sempre quis ser mais teimosa, não é? Mas você me faz perder as rédeas de mim mesma e eu não sei como proceder.
Olha, por mais que eu insista em não admitir, eu lhe amo. Não você não leu nenhuma asneira, eu não fumei, não bebi e muito menos inalei alguma coisa. Você sabe que eu sou uma cuzona para tudo isso, que eu acho tudo muito careta e que vivo mais sóbria que qualquer pessoa do mundo. Mas ultimamente eu ando assim, “bêbada de amor”, por mais que ache essa expressão ridícula, incoerente, melosa e fora do meu padrão, eu me sinto assim. Porra, o que aconteceu comigo? Não querendo te culpar, mas já culpando, isso é tudo por sua causa.
Você deve pensar que é mentira, que eu nunca liguei pra você, que sempre fui fria. Mas parece que as coisas estão mudando. Se eu não te procuro é porque tenho medo. “Mas medo do quê?”, você deve se indagar. Eu tenho medo de você me ignorar, medo de ter medo, medo de perder, medo de ter passado tudo, medo de ser coisa da minha cabeça, medo de não poder corresponder com tudo que acho que sinto e por isso não falo.
Não falo porque é melhor guardar, mesmo que doa, mesmo que eu sinta coisas maravilhosas e tenha vontade de gritá-las nua, correndo pela paulista, eu as guardo. Por isso eu peço, não ria, ok? Não me faça mal, não deixe de me procurar porque quando isso acontece meu coração vai de 0 a 100 mais rápido do que qualquer motor 2.0.
Lembra aquela vez que você sonhou com a gente e disse que não importava o que viria pela frente? Cara, eu sei que você não deve se lembrar disso, mas eu lembro e daria tudo pra voltar naquele dia e ouvir isso de novo. Ou quando você falou que me amava pela primeira vez no telefone, sei lá, todas as borboletas do mundo passaram no meu estômago naquela hora e você nem imagina… Ou de quando seu nome me perseguiu naquele dia e me disse que era “destino”, eu espero que isso tenha saído do fundo do seu coração e que ainda, mesmo decepcionado, acredite em nós.
Eu não quero te prender, mas gostaria que você soubesse que eu sempre vou estar aqui, no que você precisar. Sou uma das pessoas que mais torce pelo seu sucesso, por sua felicidade. Não importa o que vá acontecer eu quero você bem, quero você feliz. Se for ao meu lado a minha felicidade fica completa, mas eu mudei, não quero ser egoísta, to pensando apenas em você.
Viva, viva e seja feliz como mais que merece. Se isso não lhe agradar, desconsidere. Finja que não leu de descarga, sorria e segue a vida. Só quis avisar, gritar o que mantinha em silêncio. E que os gramáticos me perdoem, mas eu preciso falar mais uma vez, mesmo que erroneamente: te amo.
(Ludmilla Florêncio)
segunda-feira, 1 de julho de 2013
O pior é ficar parado.
Não tenho muitas papas na língua. E, olha, tem gente que acha que já fiz muito papel de otária. Já escrevi carta, bilhete. Já mandei flores, presente. Já pendurei faixa. Já pintei quadros. Já mandei mensagem. Já liguei. Já fui pegajosa. Já fui horrorosa. Mas pelo menos eu fiz alguma coisa. O pior é ficar parado esperando a vida acontecer.
(Clarissa Corrêa)
Parabéns para você.
Parabéns para você, que, linda, lida com explosões hormonais uma vez ao mês. Que sente tudo inchar. Que chora por besteira. Que valoriza bobagens. Que acredita em filmes de amor. Que faz coleção de esmaltes. Que ama sapatos, bolsas e cacarecos para colocar no cabelo. Que compra só porque tava em liquidação. Que sempre precisa de alguma coisa. Que acha o amor a coisa mais bonita – e importante desse mundo. Que sabe como é fundamental olhar para si mesma – ainda que de vez em quando se perca e se preocupe em demasia com o “querer” do outro. Parabéns para você, que dia a dia aprende mais sobre você mesma. Que erra para aprender. Que é forte o suficiente para seguir em frente – sem lamúrias, mas com maturidade e sensatez. Que de vez em quando esquece a própria idade e o juízo em algum canto. E depois acha, como mágica. Parabéns para você, que tem um sonho. Que não desiste, apesar do que falam. Que não se abala, apesar do medo. Que sente uma fraqueza interna, mas caminha com passos firmes. Que fica tonta, mas não desmaia. Que apesar de cada pedra no caminho, corre. Que reclama dos problemas, mas entende que a vida é feita deles. Que tenta entender o defeito alheio – e procura perceber os seus.
(Clarissa Corrêa)
julho.
Ele veio tímido, querendo se encaixar nos farelos de Junho, entrou pela porta da frente, congelou as rosas lá do jardim e descongelou alguns sentimentos que o outono teimava em aninhar.
E julho trouxe verão pro meu coração, trouxe luz para meus olhos, trouxe fé na bandeja e distribuiu sonhos novos.
Inverno de paz! A quentura do menino Julho é bem maior que seu assustador potencial para esfriar as mãos e a ponta do nariz.
Não se importou com a falta de quentura do sol, pois preparou um acolchoado de felicidade pra aninhar pessoas, pra juntar corações e agregar compaixão.
Que Julho renove a esperança daqueles que andam descobertos pela incerteza do não querer, do não sentir. E que todos possamos nos beneficiar da melhor das estações.
É tempo de aquecer, tempo de abraçar. Que Julho nos envolva no agasalho do amor. Que o inverno da estação não se aplique no peito. Que seja verão na alma, nos olhos e no coração.
Que seja verão, meu bem, pra gente, pro mundo. Verão em pleno inverno é questão de deixar se aquecer.
Eu te aqueço e tu me aqueces e o resto fica tudo bem.
(Ju Fuzetto)
domingo, 30 de junho de 2013
Sobre a vida.
Quantas coisas perdemos por medo
de perder.
(Paulo Coelho in Brida)
A vida não dá e nem empresta, não se comove e nem se apieda.
Tudo quanto ela faz é retribuir e transferir aquilo que nós lhe oferecemos.
(Albert Einstein)
Na essência do sentimento.
E talvez
eu seja uma transição do que eu sou para o que sempre quis ser. Tenho leões
dentro de mim que às vezes acordam e se desentendem.
(Rayana
Krambeck)
Por isso, é que todos os dias eu tento me entender.
E me perdoar. E me amar, mesmo com as fraquezas que tenho. Eu me aceitei assim.
Imperfeita. Impura. Frágil. Humana. Na essência do sentimento. E da palavra que
ela quer dizer.
(Bibiana Benites)
quinta-feira, 27 de junho de 2013
Procure seus caminhos.
Procure os seus caminhos, mas não magoe ninguém
nessa procura.
Arrependa-se, volte atrás, peça perdão!
Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar necessário.
Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se achar, segure-o!
(Fernando Pessoa)
Uma estranha e secreta harmonia.
Eram
bonitos juntos, diziam as moças. Um doce de olhar. Sem terem exatamente
consciência disso, quando juntos os dois aprumavam ainda mais o porte e, por
assim dizer, quase cintilavam, o bonito de dentro de um estimulando o bonito de
fora do outro, e vice-versa. Como se houvesse entre aqueles dois, uma estranha
e secreta harmonia.
Não me aproximo porque, veja bem, sabe lá quem habita a tua solidão. Hesito.
Recuo.(...) Nós poderíamos ser amigos e trocar confidências. Assistiríamos a
filmes, taça de vinho nas mãos, e tu me detalharias as tuas paixões e
desatinos. Nós poderíamos ser amantes que bebem champanhe pela manhã aos beijos
num hotel em
Paris. Caminharíamos pela beira do Sena, e eu te olharia
atenta, numa tentativa indisfarçável de gravar o momento e guardá-lo comigo até
o fim dos meus dias. Ou poderíamos ser apenas o que somos, duas pessoas com uma
ligação estranha, sutilezas e asperezas subentendidas, possibilidades de
surpresas boas. Ou não. Difícil saber. Bato minhas asas em retirada. Tu dormes,
e nos teus sonhos mais secretos, não posso entrar. Embora queira. À distância,
permaneço te contemplando. E me pergunto se, quem sabe um dia, na hora certa,
nosso encontro pode acontecer inteiro. Porque tu és o único que habita a minha
solidão.
(Caio Fernando Abreu)
Por você.
Por você eu invento um sol compatível com o meu calor. Solto pipa com a maior rabiola. Compro sua esquina predileta. Tatuo meus supercílios.Como trufas com churrasco sem sujar minhas mãos. Por você danço bailão, gafieira, valsa e pagode na mesma noite. Canto ópera no teatro municipal. Faço versos para a lua. Brinco de amarelinha nas estrelas. Dou nó no vento. Alugo o mar para andar de barquinho. Falo qualquer idioma. Aprendo Matemática, Física Quântica, Química, Astronomia. Leio cartas, tarô e faço o horóscopo dar certo. Troco a rua de lugar. Faço um colorido no muro. Roubo morangos fresquinhos. Tomo sopa de lentilha. Moro na China. Pego onda até na lagoa da fazendinha do meu primo.
Por você faço verso. Roubo um poema. Envio uma carta. Invento uma canção. Escrevo um livro Toco acordeom na praça. Jogo moedas no poço para dar sorte. Dou nó no vento. Por você me invento de novo e ainda acho pouco.
Por você eu até aprendo a fazer um soneto, embora eu prefira um dueto.
(Ita Portugal)
Para que servem os namorados.
E para que servem os namorados se não for para sentir-se dono dos nossos afetos nem que sejam os dos finais de semana. Servem também para pensar que são os melhores do mundo mesmo esquecendo todas aquelas porcarias de datas que a gente tanto acha importante e no final é só mais um dia normal.
Para que servem os namorados se não for para dizer a um punhado de garotas que existe uma capaz de virar a sua cabeça, mesmo que naquela noite no bar ele tenha olhado de soslaio para a loira longilínea que passou entre as mesas.
Para que serve um namorado? Para dizer volto já e deixar a gente roendo as unhas aflitas, quando ele apenas esqueceu o que prometeu.
Para que serve um namorado, se não for para trazer o ingresso do show mais esperado do ano, sem antes reclamar dizendo à roupa que não deveremos ir.
Para que serve um namorado, se não for para reclamar da quantidade de malas que fizemos apenas para dois dias no litoral. Um namorado serve também para a gente ter certeza de que está tentando ser feliz mesmo com a indisciplina do amor e a surdez do interlocutor que não presta atenção nos nossos sintomas e teimar em não escutar a nossa boa e entusiasmada intenção de fazer dele o homem de nossa vida, mesmo que por alguns segundos. Um namorado serve também para viver uma cena inteira de romance, chocolate e edredons. Serve para tagarelar nos nossos hemisférios e quase no final do dia conjugar o amor.
Talvez sirva para alguma coisa bonita que eu não sei definir.
(Ita Portugal)
Ah, o tempo!
Um dia você entende que o tempo não é inimigo. E que ele é o nosso maior
mestre. Que tudo vem na hora que deve vir. Que não adianta espernear nem se
esconder da vida. Que a fuga não é a melhor saída. E que no fim das contas a
gente sempre acaba agradecendo tudo que passou. Porque o tempo (ah, o tempo!)
está sempre ao nosso lado para nos mostrar o que realmente vale a pena.
terça-feira, 25 de junho de 2013
Algumas coisas nunca passam.
Dizem que um dia tudo passa. Eu discordo. Algumas coisas nunca passam, não importam os anos, as pessoas e o rumo que sua vida toma. Existem sentimentos que você vai eternizar. Pessoas, que mesmo você não querendo de volta, serão especiais. Não importa o quanto te magoaram, você vai lembrar do quando isso te mudou, e vai agradecer pra sempre á isso. E quando alguém disser que seus olhos estão brilhando, ou te perguntarem porque está sorrindo sozinha, é provável que você não saiba o motivo... Mas já aviso de antemão, que é seu subconsciente te atormentando com a magia de sentimentos que você jura estarem apagados e não estão.
(Vallenttina)
Conversa íntima.
Livrai-me dos solavancos que misturam e confundem meus sentimentos.
Dos estragos causados pelo coração endurecido.
Das tantas palavras que me leva a pensar que sou “sabida”.
De usar pouco silêncio, quando ele é tão necessário
Do tempo perdido com coisas sérias dos adultos
De anoitecer sem agradecer e amanhecer sem sorrir
De querer ser grande, sem ter sapato de salto alto suficiente
Das palavras ásperas que tanto machucam
De sentir saudade do que não tem jeito
Da solidão, com tanta gente perto
Do apego aos grãos que se dissipam facilmente
De perder tempo com o que foi perdido
Das certezas que me privam da beleza de tecer sonhos incertos
Dos carinhos econômicos por medo de se entregar
Da falta dos riscos que emocionam a vida
De todas as faltas. Da falta de coragem, da falta da música, da falta do toque, da falta de amizade, da falta de fé e de amor.
E liberta-me de usar as hipóteses do desaforo de ser normal e viver o óbvio, engaiolada nas convicções. Que eu renasça com a sensação de que sou poeta, sonhadora, louca e majestosamente viva, sem precisar me preocupar em explicar as razões disso.
(Ita Portugal)
domingo, 23 de junho de 2013
Sou o que não sei.
Eu sou o que ainda não foi escrito por falta de inspiração. Sou o que não está nas entrelinhas. Sou uma verdade dolorida. O próximo texto. A música antiga. A solidão merecida. O atropelo das palavras. O que não entendi. Sou as respostas sem nenhuma pergunta. As longas explicações para coisas tolas. A imaginação que voa longe e chega a lugares escuros. Sou a conclusão do que ninguém disse. O congestionamento de pensamentos e ideias. O papo longo sobre coisas banais. Sou a pessoa que fica encucada com o fim do mundo, a morte e as perdas. As conclusões apressadas. As emoções urgentes. O choro na madrugada.
O velho álbum de lembranças. Os e-mails guardados. A insistente melancolia do que foi e não volta. A vontade de que tudo aconteça. A impaciência para as esperas. As preocupações sem motivo. A escrita desaforada. A reclamação sem pensar. A preguiça na hora errada. A lista de coisas por fazer. Sou tanta coisa e ausência de outras. Sou a metade da missa, um terço do rosário. Um décimo da promessa. Sou o que não sei e só espero que quando eu descobrir, dê tempo de contar, de melhorar, de viver.
(Ita Portugal)
quinta-feira, 20 de junho de 2013
Sou imperfeita na tentativa de acertar.
Eu já o deixe ir quando na verdade eu queria que ele ficasse, aliás, eu pedi que fosse.
Eu já chorei todas as dores, todos os amores e todas as angústias. Pensei que não ia passar, mas passou.
Eu já tentei posar de perfeita, mas deu tudo errado e consegui me recompor.
Eu já andei por caminhos que eu tinha certeza. Até que eu percebi que estava na trilha errada.
Eu já procurei mil motivos para ser feliz e os motivos eram tão repentinos que passavam.
Eu também tropecei, senti raiva, despedi a razão, contratei alguns sonhos e tentei por bem ou por força realizá-los. Alguns aconteceram e outros foram sonhos feitos de vento. Mesmo assim continuei de pé.
Eu julguei ser amor, quando era apenas um sentimento confuso e passageiro. Doeu e eu imaginei que não ia sarar, mas virou lembranças.
Falei antes da hora, julguei erradamente, calei por birra, teimei e quebrei a cara, cai, mas levantei e continuei torta, mas inteira.
Mudei de ideia pensando ser melhor, mudei de habito para conseguir algumas coisas, reescrevi planos, desfiz contratos que eu supunha não dar certo. Deu trabalho, mas fiz tudo isso, querendo fazer escolhas mais acertadas. Não estava completamente correta e tive que pagar um preço por isso. Paguei, reclamei, esperneei e entendi.
Flertei com a esperança e pratiquei a fé, esperando mover todas as montanhas do meu caminho. Superei apenas algumas pedras e fui obrigada a pegar alguns atalhos para desviar das restantes. Não era o que eu esperava, mas deu certo.
Corri atrás da felicidade quando parecia que ela era atleta e sempre estava á minha frente. Fiquei aborrecida, até que um dia, cansada, resolvi olhar dos lados e encontrei boas razões para estar feliz.
Amei com toda minha verdade e de verdade. Achei que era pra valer. Que era pra sempre. Que ia durar uma vida. Não durou o suficiente para me saciar. Durou apenas a saudade. Insisti. Ofereci. Esperei e nada aconteceu. Fui romântica excessivamente. Imperdoável. Inconsolável, sai de fininho. Inconformada, tive que guardar a história. Salvei-me e sobrevivi para contar.
A vida consignou-me alguns estágios de coisas boas e uma sucessão interminável de “ainda”. Ainda faço. Ainda tenho. Ainda vou. Ainda consigo. Ainda realizo. Mesmo assim “ainda” acho que vivo uma história pessoal fenomenal e hoje eu sei com absoluta certeza de que não há nada de errado comigo. Sou imperfeita na tentativa de acertar. Com isso, eu só tenho medo de não ter tempo para cometer todas as outras loucuras que desejo.
(Ita Portugal)
Aumente o volume dos bons pensamentos.
Quem é feliz não precisa provar nada,
simplesmente é. Felicidade não é sobre quem grita mais alto; é sobre quem sorri
mais fundo.
(Clarissa Corrêa)
Tropece, balance, mas não caia. Desmonte as
coisas que não foram moldadas para você. Desfaça os nós por entre as linhas
invisíveis do tempo. Se acomode na poltrona do infinito, viaje enquanto há
tempo. Encontre-se consigo no cubículo da alma, se esparrame por dentro,
aumente o volume dos bons pensamentos, usufrua do que te faz melhor, mais
íntegro, inteiro, sem esbarrar na covardia de viver pelos cantos, ao meio,
incrédulo.
(Ju Fuzetto)
Floresci.
Cabisbaixa, pensativa, pedi aos céus que me
enviassem algum sinal. Nem sempre as coisas acontecem como a gente espera, aí a
gente às vezes desanima. Foi então que, num tropeço, encontrei uma frase solta
num livro... "Não fique triste. Seja como o sol ao meio-dia. Floresci.
(Elenita Rodrigues)
O ontem não existe mais. O amanhã ainda não existe. Você só tem o hoje.
Este é o dia em que Deus age.
(Max Lucado)
Seu coração é a sua nobreza.
Eu desejo que você consiga perceber a sua
força, por causa e apesar de. Que saiba que é grandioso demais para achar que
não é. Eu desejo que você, antes de me contar seus defeitos, que fale sobre as
suas qualidades, as essenciais, porque o material não te faz mais bonito ou
menos interessante, seu coração é a sua nobreza. Eu desejo que no mundo haja
mais pessoas com a sua generosidade, mas que sua percepção disso seja
convertida para o seu Bem também. Desejo que você não apenas ajude, mas aprenda
a pedir ajuda: se humildando na sua capacidade de dar e se permitindo receber o
que é justo. Desejo que, no auge do seu cansaço, você não fuja, que
simplesmente consiga chorar por um profundo respeito a si mesmo. E que deixe
que o Universo te afague, que a Vida te acaricie, que um Poder Superior te ouça
e dê o colo que você precisa. Eu desejo que você possa dormir quando sentir
sono. E que possa acordar com a boa notícia que espera. Porque você merece
comemorar mais uma vitória. Você merece sorrir com seu coração.
(Marla de Queiroz)
terça-feira, 18 de junho de 2013
O que não vier com intuito de trazer leveza.
O amor
sobre(vive) da troca. Da reciprocidade. E de uma série de outros sentimentos
que fazem com que ele permaneça aceso. Bonito. O amor é uma via de mão dupla.
E a gente
tem mesmo é que se libertar do que nos deixa triste. Deixar de lado tudo o que
não nos acrescenta. Porque o que não vier para o nosso lado com o intuito de
trazer leveza, que tome o caminho de volta.
(Bibiana Benites)
quinta-feira, 13 de junho de 2013
O importante pra mim.
"Não tenho a pretensão de que todas as pessoas que gosto, gostem de mim, nem que eu faça a falta que elas me fazem. O importante pra mim é saber que eu, em algum momento, fui insubstituível, e que esse momento será inesquecível."
(Fernando Pessoa)
. Hoje Fernando Pessoa faria 125 anos. Grande ''Pessoa''! :)
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