domingo, 8 de junho de 2014

Cada um sabe de si.




Cada um sabe de si. Das fronteiras que deseja ultrapassar no próprio tempo. Alguns querem voar, outros tem medo de altura. Alguns querem profundezas abissais, outros não saem da superfície do mar. Alguns preferem se aventurar durante o dia, outros preferem a inspiração do silêncio noturno.
Eu quero voar. Eu quero os parques ensolarados em fins de semana. Eu quero monopolizar a lua no céu. E da minha estrela abstrata na Terra, quero o todo brilho. Quero conjugar os verbos que criei no presente e futuro mais que perfeitos. Mesmo não sabendo nadar, um dia quero mergulhar. Quero ter meu sorriso ensurdecedor mesmo banguela.
Sim, eu vou continuar crescendo. Mudando. Até o falecer da última célula. Do último suspiro sairá um beijo, uma prosa ou uma oração.

Felicidade para o maior número de pessoas. Respeito gratuito. Porque haverá uma dia em que a mudança não será permitida. E nesta hora seremos mais uma lembrança e nada mais. E algumas lembranças também morrem.

 (Jonathan Freitas)

Para ficar guardado.


E o tempo passa. Você passou, mas deixou sua marca no meu coração. Por mais que eu dizia que um dia iríamos nos encontrar e viver aquela história, hoje penso diferente. Tem pessoas que passam na nossa vida, para nos lembrar quem somos, para trazer luz, para sentirmos que não somos sozinhos no mundo. Hoje entendo que há pessoas que passam e se vão, mesmo que a gente queira que fiquem. Há certos amores que não foram feitos para serem eternos. Nem para serem vividos. Foram feitos para ficarem guardados no coração e ponto.

(Rayana Krambeck)

Loucos.


terça-feira, 3 de junho de 2014

Estranho.



Eu costumava pensar que eu era a pessoa mais estranha do mundo, mas então eu pensei: Bem, há muitas pessoas no mundo. 
Deve haver alguém como eu, que se sente estranho e danificado da mesma forma que eu me sinto. 
Então, eu me imagino como essa pessoa e imagino que ela deve estar lá fora pensando como eu. 
Espero que, se você estiver lá fora e ler isso, que saiba que sim, é verdade, eu estou aqui. 
Eu sou tão estranho quanto você.


(Frida Kahlo)

domingo, 1 de junho de 2014

É o que me interessa.


Daqui desse momento
Do meu olhar pra fora
O mundo é só miragem
A sombra do futuro
A sobra do passado
Assombram a paisagem.
Quem vai virar o jogo
E transformar a perda
Em nossa recompensa
Quando eu olhar pro lado
Eu quero estar cercado
Só de quem me interessa.
Às vezes é um instante
A tarde faz silêncio
O vento sopra a meu favor
Às vezes eu pressinto e é como uma saudade
De um tempo que ainda não passou
Me traz o seu sossego
Atrasa o meu relógio
Acalma a minha pressa
Me dá sua palavra
Sussurra em meu ouvido
Só o que me interessa.

A lógica do vento
O caos do pensamento
A paz na solidão
A órbita do tempo
A pausa do retrato
A voz da intuição
A curva do universo
A fórmula do acaso
O alcance da promessa
O salto do desejo
O agora e o infinito
Só o que me interessa.
(Lenine)

O amor.


O amor é um abacateiro no quintal. 
Não há como escondê-lo dentro de si. O corpo fica pequeno.
Você nunca contou aos seus vizinhos que tem um pé de abacates em casa e de longe eles observam você varrendo as folhas. 
De certa forma, você é egoísta com as frutas, afinal, elas só maduram uma vez por ano e você ama abacates, e deseja tê-los apenas para si. 
E amor também é assim, uma árvore de galhos enormes que você insiste em não confessar, mas todos em volta já viram, um dia, você varrendo folhas por aí.
(Jonathan Freitas)

terça-feira, 27 de maio de 2014

A fé.


Infelizmente não é possível obter em pesquisas científicas a partícula fé.
Fé é não saber, e mesmo assim crer.
Crer na imprevisibilidade da vida, que tece um ponto aqui e arremata lá na frente;
Crer no encontro, na inexplicável certeza de que alguns caminhos tinham que se cruzar - para o bem ou para nosso crescimento;
Crer mesmo não enxergando... Confiar e acreditar na estrada mesmo quando a neblina encobre todo o caminho.
Crer que o fato de estar no lugar certo na hora exata pode ser chamado "sorte", mas não deixa de ser providência;
Acreditar que coincidências podem ser eventos aleatórios que te conduzem a um propósito.
Não entendo nada de física mas a ciência me maravilha com suas certezas, dando nome aos fenômenos naturais, amparando dúvidas com comprovações, ensinando que a matéria não é tão sólida, que somos feitos de átomos - prótons, nêutrons e elétrons em vibração. Somos energia, estamos em constante movimento e irradiamos calor, sensações. Captamos fluxos, agitamos outras matérias, organizamos e desorganizamos nosso equilíbrio.
E isso nos dá a certeza de que podemos sentir uns aos outros. E sentir pode ser muitas outras coisas além do que só é visto e tocado.
É estar em harmonia com o que acontece, deixando a maré conduzir nosso barquinho em vez de tentar remar para o lado contrário;
É aceitar os revezes como parte do fluxo natural, não como acidentes de percurso;
É entender as pessoas além do que elas dizem, agem ou omitem; permanecendo "no fundo de cada vontade encoberta", como cantou Caetano em "Força Estranha";
É conectar-se consigo mesmo - independente de dogmas, julgamentos, egos e leis -buscando em si as respostas, descobrindo que você é e abriga a partícula divina.
A ciência nos coloca de volta às origens, ao que é natural, onde tudo começou.
E nos reconhecemos pequenos, partículas de Deus, assim, com letra maiúscula.
(Fabíola Simões)

terça-feira, 6 de maio de 2014

Explicar.


Eu não gosto de me explicar. Prefiro a penumbra do não-saber. Eu vivo em êxtases provisórios. Vivo dos dejetos de naufrágio que o mar rejeita para a praia.

 (Clarice Lispector)

terça-feira, 29 de abril de 2014

Liberdade.


Solto tudo que me prende, para me prender a tudo que me liberta.

(Renato Oliveira)

Moça-solidão.


Ela sabia que aquele tipo de solidão rimava com aflição, mas ainda vivia num mundo de falso desapego e consequente desilusão. Rodava por aí como se nada fizesse sentido e como se lidasse bem com a própria mentira. Morria de medo da dor, mas, para seu azar, a dor parecia ter uma especial predileção por ela.
Pobre menina, amparada pela piedade de seu próprio martírio. Certas vezes, mantinha-se enlaçada no manto que a fragilizava, outras, saia despreocupada, despida da agonia que a blindava, vagava tentando manter-se intacta ao sofrimento, mas à noite, a saudade embrutecia seu sono e infiltrava grandes doses de tempestades em seus olhos. Molhava o travesseiro e a alma, mas mantinha a postura seca e ligeiramente sóbria ao amanhecer. Puro ato de coragem, ou não, era assim que toda a sua fraqueza se transformava em fortaleza.
Ela não tinha a quem recorrer além de alguns poucos amigos, umas doses de qualquer coisa que lhe tirasse do ar de vez em quando e um velho diário. Velho porque o começara há muito tempo, mas escrevia quase que mensalmente apenas e, nas poucas linhas, despejava os seus anseios, algumas bobagens doces e pesadelos amargos. Era seu consolo escrever até amanhecer, prostrada na amargura, ou numa loucura. A escrita era o seu único passaporte para saltar de dentro de si. Então, escrevia coisas açucaradas, mas seu paladar intuitivo pedia mais.
Rabiscava outros mundos, alguns azedos, outros sem gosto. Ia do amor à dor sem chorar, guardando cada sílaba na boca, pronta para beijar algum sapo, ou algum príncipe que pintasse no seu faz de conta. Sabia que isso podia ser real, mesmo assim decidiu trancar-se na antiga dor de sempre, naquela bendita companhia acolhedora. Eram amigas íntimas e, de vez em quando, uma se embutia na outra, ora moça, ora solidão. Mas a solidão enlouquece e um dia ela se viu diante da oportunidade de despejar seus anseios, provavelmente realizá-los, quando encontrou alguém que ria das mesmas bobagens, alguém que também açucarava, mas sabia acrescentar pimenta e sal na medida, e que também tinha pesadelos amargos, às vezes acordado. Alguém que sabia caminhar em meio à nebulosidade de sua mente, mas também sabia que ela podia ser dissipada com um sopro de carinho. Sim, ela encontrou esse alguém. Pois mesmo trancados e escondidos, acabamos sendo descobertos. Uma escorregada pelo mundo exterior e corremos o risco de virarmos alvos. Assim, sem nem pensar a respeito, ela foi encontrada. Ser encontrada não é o problema. O problema é se deixar encontrar. E a moça-solidão foi: caminhando rumo a um encontro que poderia ser desastroso, mas surpreendentemente, não foi.
Então ela, boquiaberta e braços escancarados, na ponta dos pés, querendo alcançar a lua, voou em direção à colisão: de almas, de corpos, de suores, de existência. Deixou largada no canto do quarto a roupa de solidão. Já não caía bem mesmo. Só agora ela percebia: parecia ter sido feita por um costureiro muito ruim, sem nenhum senso de estilo e que ainda por cima não gostava dela. Não, não. O tecido pinicava. Chega de se vestir de NÃO.


(Ju Dacoregio e Ju Fuzetto)

Espera para começar.


(...) Amores virão depois das paixões,
palavras certas sempre virão depois das erradas,
a resposta certa virá quando o ato errado foi cometido,
 televisões novas estragam e garantias são perda de tempo,
o telefonema mais esperado irá chegar
enquanto estamos tomando banho
 com o rádio no último volume,
as cartas não chegam, nem os e-mails,
nem a esperança, as taças caras quebram como
os copos de extrato de tomate,
 analfabetos ganham o país e
poemas de Alice Ruiz passam sem aclamação.
 Começar pode ser aos 17. Pode ser aos 30.
Pode ser aos 85.
Começar pode ser ao som de Marvin Gaye
ou no apaixonar de Chico.
Debaixo de uma mangueira,
debaixo de uma chuva torrencial.
Começar em Porto Alegre,
pousar em Curitiba, recomeçar na Avenida Paulista,
dormir no braços de Cristo e
"passar uma tarde em Itapuã, ao sol que arde em Itapuã,
 ouvindo o mar de Itapuã...".
 Começar é de repente perceber que já
se está na metade do caminho.
Começar é dar mais valor ao tempo
que temos e descobrir como é uma tortura
o tempo que não temos.
Começar é dar possibilidade de que
alguma coisa aconteça aqui ou em Amsterdã.
O beijo é o começo do amor.
O amor é o começo do plano.
O plano é o começo do caos.
O caos é o começo da família.
A família é o começo dos herdeiros.
Os herdeiros são o começo do futuro.
E o futuro já não é mais
tão perto e nem tão para a gente.
O futuro, aparentemente é o fim que nos espera.
Espera para começar.

 (Cáh Morandi)


Lucidez brilhante.

Sentava-se na varanda diariamente, num ritual marcado, para conversar com seus sonhos. Ao longe as pessoas podiam vê-lo dialogando sozinho e o pensavam louco. Certeiramente, claro. No entanto, sentia-se feliz por saber que dentro de sua loucura existia um manto de lucidez brilhante. 
Tinha uma beleza extraordinária: era tão deslumbrante que se via deformado, como se o belo em demasia também fosse a própria feiura. E talvez fosse.
Falando consigo mesmo, jorrava de sua boca toda a ternura que era incapaz de lançar ao mundo. Ficou conhecido como o rapaz dos fantasmas. Durante muitos anos foi visto na mesma varanda, repetindo frases inteligíveis e cheias de amor. 

Até que tudo terminou disfarçado de tristeza no silêncio que o vestiu. 

(Tiago Fabris Rendelli)

Todos os sonhos.



Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

(Fernando Pessoa)

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Dentro de nós.


É necessário abrir os olhos e perceber que as coisas boas estão dentro de nós, onde os sentimentos não precisam de motivos nem os desejos de razão. O importante é aproveitar o momento e aprender sua duração, pois a vida está nos olhos de quem saber ver.

(Gabriel García Marquez)

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Sobre ela.



É lenta e quase não fala. Tem olhos hipnóticos, quase diabólicos. E a gente sente que ela não espera mais nada de nada nem de ninguém, que está absolutamente sozinha e numa altura tal que ninguém jamais conseguiria alcançá-la. Muita gente deve achá-la antipaticíssima, mas eu achei linda, profunda, estranha, perigosa. É impossível sentir-se à vontade perto dela, não porque sua presença seja desagradável, mas porque a gente pressente que ela está sempre sabendo exatamente o que se passa ao seu redor. Talvez eu esteja fantasiando, sei lá. Mas a impressão foi fortíssima, nunca ninguém tinha me perturbado tanto.

(Caio Fernando Abreu)

Eu gostei de você.



 Vocês se amaram? 
- Ela me amou. Foi a única criatura que... – Fez um gesto. – Enfim não tem importância. 
Raquel tirou-lhe o cigarro, tragou e depois devolveu-o: 
- Eu gostei de você, Ricardo. 
- E eu te amei. E te amo ainda. Percebe agora a diferença? 

(Lygia Fagundes Telles)

Lembra, moço.


Lembra, moço, que meu sorrir é quem fala, porque eu não sei lidar com palavras, não.


(Jaya Magalhães)

Rapte-me.


Rapte-me, leve-me para algum lugar fora de mim. Pode ser a lua, o tártaro, cidades invisíveis, qualquer espaço depois do mapa. É preciso ter tanto e sempre para sonhar além dessas águas plúmbeas, para não se afogar diariamente no breu que meus olhos cavam na luz. Pois se repito infinitamente que tenho amor, pois se me comovo com crianças que tremem, pois se não tenho fome de nada e me flagelos pelas fomes alheias, o que falta para dar a exata medida de minha existência?

 (Tiago Fabris Rendelli)


A vida .



A vida é sempre a mesma para todos: rede de ilusões e desenganos. 
O quadro é único, a moldura é que é diferente.

(Florbela Espanca)

Em crise.

É preciso ter um caos dentro de si para dar à luz uma estrela cintilante.

(Friedrich Nietzsche)


Quando estamos em crise por algo específico ou por tudo, uma preciosidade acontece: Saímos do lugar. Damos um passo adiante. Buscamos por outras paisagens, outros personagens, novas histórias. Por mais dolorosa que seja uma crise, ela é um aprendizado. Ele nos diz que o que estamos fazendo não serve mais para que obtenhamos o resultado almejado. Ela nos mostra que aquela relação teve o seu tempo esgotado. Que aquele emprego não nos faz mais feliz. Que gostaríamos de começar outra atividade, nos especializar em outra coisa. Enquanto estamos confortáveis, não nos movemos porque tudo está do jeito que queríamos. Quando esta fase passa é hora de subir outro degrau, abrir um pouco mais a mente e reavaliar o que tem ocupado o nosso coração. Aproveite as crises para crescer, para ousar, para criar um movimento em seu benefício. Reclamar do processo não o resolve. Aceite e ponha ação em suas palavras. E, se puder, agradeça. Há merecimento nas graças obtidas pela GRATIDÃO.
(Marla de Queiroz)

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Não amar demais.


(...) farei o possível para não amar demais as pessoas, sobretudo por causa das pessoas. Às vezes o amor que se dá pesa, quase como uma responsabilidade na pessoa que o recebe. Eu tenho essa tendência geral para exagerar, e resolvi tentar não exigir dos outros senão o mínimo. É uma forma de paz.

(Clarice Lispector)

Sejamos.



Que estejamos presentes em memórias alheias. Que alguém já distante lembre do nosso sorriso e se sinta acolhido.
Que o nosso bem faça bem ao outro. Que sejamos a saudade batendo no peito de uma velha amizade.
Que sejamos o amor que alguém nunca esqueceu. Que sejamos um alguém que sorriu na rua e o desconhecido encantou-se.
Que sejamos, hoje e sempre, uma coisa boa que mora dentro de cada um que passou por nós.

(Elizabeth Gilbert)

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Além.


Sinta minhas asas, minhas raízes famintas de uma água sempre negada e saberá de pronto que sou o além das palavras, o além dos muros, descaso e devastação. Não desejo nada menos do que meu quarteirão coberto de poesia. 

(Tiago Fabris Rendelli)

Divina eternidade.

Eu não consigo ver você e você conhece tudo. Mesmo assim, minha vida não será inútil. Porque sei que nos encontraremos de novo. Em alguma divina eternidade.


(Oscar Wilde)

Minha alma.


Minha alma tem o peso da luz. Tem o peso da música. Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita. Tem o peso de uma lembrança. Tem o peso de uma saudade. Tem o peso de um olhar. Pesa como pesa uma ausência. E a lágrima que não se chorou. Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros.

(Clarice Lispector)

Onde tu estás.


Agora mesmo, no exato momento em que o ponteiro grande do relógio branco com a Santa Ceia parou ao lado do número 3 e o médio no 12 eu sei onde tu estás. Tomando café e se deliciando com aquele chocolatinho que vem de brinde. Usando anéis só pra ficar brincando com eles enquanto ouve alguém falar sobre o último filme que viu. Sorrindo enquanto pede pra te acenderem um cigarro. Reclamando da falta de sol. Usando sapatos baixos. Dirigindo mal, rápido e com vidro arriado. Dando conselhos. Comendo ceasar salad só porque gosta do nome. Camisa branca e cabelo preso. Rezando pelo fim das guerras. Achando que não tem mais idade para usar fivelinhas de cabelo e mesmo assim usando. Ficando magoada. Carregando um livro puído. Estudando fotografia. Lembrando que afinal, Deus não tem culpa de nada. Esquecendo de amar. Três regimes abandonados. Dois pensamentos provocando dor de cabeça e uma sensação de que não dá mais tempo. 

(Cris Lisbôa)

sexta-feira, 28 de março de 2014

Coração fora do peito.


Ora, pinhões! Eu nasci com o coração fora do peito. Queria que ele batesse ao ar livre, ao sol, à chuva. Queria que ele batesse livre, bem na vista de toda gente, dos homens, das moças. Queria que ele vivesse à luz, ao vento, que batesse descoberto, fora da prisão, da escuridão do peito. Que batesse como uma rosa que o vento balança.


(Rubem Braga)

quinta-feira, 27 de março de 2014

Disfarce.


Disfarçamos nosso abandono com frases ousadas e sem verdade alguma. O que a gente gostaria de dizer, mesmo, é: me dê sua mão.
(Martha Medeiros)

quarta-feira, 26 de março de 2014

Ela (Tão eu).


Ela é um doce, ás vezes um grande mistério que te faz querer descobrir a todos os instantes o quanto é interessante. Adora dormir até tarde, mas adora também ficar acordada até tarde, desfrutando do silêncio genuíno que a madrugada traz. Ás vezes aproveita para pensar, falar, escrever.
É uma mulher de ouro, um tesouro. Adora as leituras poéticas, mas isso não significa que queira ter um poeta. Gosta de cartas, de romantismo mas não de coisas melosas. E muitas vezes faladas sem verdade alguma. Como boa conhecedora, adora as palavras. Mas adora bem mais as atitudes e ama quando se tem atitudes com palavras verdadeiras.
Seu silêncio tem barulhos, ocasionados por seus pensamentos mais profundos. Mas eles também trazem respostas grandiosas pelo sorriso, depois de certo elogio. Ela é tímida com elogios. É uma grande conquistadora com o poder do sorriso, do jeito cativante e simples de ser. No olhar dar muitas boas respostas, sem meias palavras. Mulheres são seres sagrados, e não querem perguntas para os problemas. Mas sim, solução como as respostas deles.
Olhe para ela, admire-a até em suas confortáveis reclamações e a deixe segura sempre. Elas querem braços que possam enlaça-las com total conforto e afeto. Mas também querem a liberdade dos braços abertos.
Tem em si, o poder de cativar no primeiro “olá” que vier a dar. No primeiro sorriso desarmar. Um fascinante ser, de olhar, querer, tocar e trazer para o lado. És uma grande amiga e tem um papel fundamental com sua escuta. Mas adora falar, expor sua opinião e ir até o fim quando estiver certa. E quando estiver errada, vai assumir os próprios erros. É errante como todo ser humano e não perfeita.
A sua simplicidade é inigualável, tão única com seu jeito diferente e envolvente, faz acontecer. Tem caprichos, mas não querem que todos sejam realizados, querem sim que eles sejam ouvidos e compreendidos. É uma grande questionadora, como heroína. É princesa, é beleza, é menina, é anjo em forma de mulher. Com seus sorrisos, olhares e jeitinho diferente, é o diferencial na vida das pessoas. Ela é incrível.


(Robert Sampaio)

Tudo que começa, nunca acaba.



Eu gosto de tudo que começa. Eu gosto do número 1, do início, do começo. Gosto de tudo que nos tira do ponto 0. Tudo que anda, tudo que vai para a frente. Não gosto de ficar parado, é sedentarismo demais. Eu gosto de começar a correr atrás, de ir atrás. Por que ainda sismo em pensar que tudo que começa, nunca acaba.


(Nando Reis)