quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Para cada alma.


Para cada alma cansada e amargurada existe sempre um colo quente, uma barba por fazer, um pescoço aromatizado com one million e, se tiver sorte, haverá também um tal de amor.


(Ju Fuzetto)

Procura-se.


Procura-se um amigo sozinho
de andar discreto e gesto silencioso.
Procura-se desesperadamente um amigo
que saiba se aproximar
de um passarinho.

(Rita Apoena)


quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Teresa.



Teresa, se algum sujeito bancar o sentimental em cima de você
e te jurar uma paixão do tamanho de um bonde se ele chorar se ele se ajoelhar se ele se rasgar todos não acredita não, Teresa! 
É lágrima de cinema 
É tapeação 
Mentira 
Cai fora!

(Manuel Bandeira)

Ridiculazinha.



Agora que eu estava entendendo de amor. Agora. Agorinha, um passarinho veio e assobiou já cansado, "Ridícula", “ridiculazinha”. Quem mandou querer aguentar o amor sozinha?

(Ju Fuzetto)

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Que venham.


Que venham novos horizontes,
novos caminhos,
novas paisagens.
Que mudem as marés.
Que o recomeço enfim aconteça.

Estou pronta!

(Rachel Carvalho)

Oração aos Elementais.


Pequeninos guardiões,
Seres da luz infinita.
De dia me tragam a paz,
De noite, os dons da Magia.
Invisíveis guardiões,
Protejam os quatro cantos da minha alma,
Os quatro cantos da minha casa,

Os quatro cantos do meu coração.

Loucura.


 Loucura.
Balanço-me para trás e para frente...
Enlouqueço-me num olhar estranho, parado.
Quero entrar no inexistente,
esquecer o presente.
Envolvo-me em uma velocidade anormal,
de pensamentos sem nexo,
onde olho o que não vejo,
onde cheiro o inodoro.
A tristeza leva meu corpo sem reação,
sinto o sangue em minhas veias envenenado,
como se meu corpo não possuísse alma.
Uma pintura abstrata, que não sei as cores:
as cores da vida, da morte, da alegria, da dor.
É como se a sonolência da minha mente
anestesiasse a realidade.
Grito sem abrir a boca,
sou apenas louca.
Louca de amor,
louca capaz de sentir o vento na calmaria,
calor no inverno.
Louca que leva o seu choro a correr o mundo,
dizendo:
Sou livre,
sou louca.
Balanço-me para trás e para frente.
Não tenho nome,
não sou gente.


(Maria Fernanda Probst)

Corações partidos.


Então me deixa ser claro e te explicar uma coisa: corações partidos são reparados com o tempo, com o acaso, com técnicas que a gente nem sabe se funcionam, mas tenta. Acho que na verdade eles se curam da tentativa. Ou nunca curam, a gente que consegue mentir bem pra gente e acredita. Cê mente bem? Mente pra si, mas não tenta mentir pra mim porque eu quero ajudar. As coisas aí dentro tão meio dilaceradas, tua bússola não funciona mais, não dá mais pra apontar pro norte. Então vai pro sul. Vai sentir algo gelado, frio, que peça abrigo e não dê. Sente um pouco do escuro, chora, vai, chorar faz bem e lava o rosto, deixa tuas marcas nas olheiras e põe pra fora. Eu acho que a gente não cura, a gente drena. Drena a tristeza e drena todo o resto até perceber que secou e pronto. Depois de secar, você volta aqui e me diz que não arde, mesmo que esteja ralado. Me diz que montou a bússola no sul e que aquilo lá virou um norte. Isso acontece muito, essa coisa da gente se reinventar, se realinhar, se descobrir do avesso. E faz bem porque a gente explora o tato no escuro. A gente explora os sentidos e põe o instinto pra funcionar mais do que o pobre coração.
(Daniel Oliveira)

Corajosos.



Que corajosos somos nós, que apesar de um medo tão justificado, amamos outra vez e todas as vezes que o amor nos chama, fingindo um pouco de resistência, mas sabendo que para sempre é impossível recusá-lo. 

(Martha Medeiros)

Esta é minha vida.


Então, esta é minha vida. E quero que você saiba que sou feliz e triste ao mesmo tempo, e ainda estou tentando entender como posso ser assim.


(Stephen Chbosky em As Vantagens De Ser Invisível)

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

O Gato e a Espiritualidade.

 Dia 17 de Fevereiro - Dia do gato



Quem não se relaciona bem com o próprio inconsciente não topa o gato. Ele aparece, então, como ameaça, porque representa essa relação precária do homem com o (próprio) mistério. O gato não se relaciona com a aparência do homem. Ele vê além, por dentro e pelo avesso. Relaciona-se com a essência. Se o gesto de carinho é medroso ou substitui inaceitáveis (mas existentes) impulsos secretos de agressão, o gato sabe. E se defende do afago. A relação dele é com o que está oculto, guardado e nem nós queremos, sabemos ou podemos ver. Por isso, quando surge nele um ato de entrega, de subida no colo ou manifestação de afeto, é algo muito verdadeiro, que não pode ser desdenhado. É um gesto de confiança que honra quem o recebe, pois significa um julgamento. O homem não sabe ver o gato, mas o gato sabe ver o homem. Se há desarmonia real ou latente, o gato sente. Se há solidão, ele sabe e atenua como pode, ele que enfrenta a própria solidão de maneira muito mais valente que nós. Nada diz, não reclama. Afasta-se. Quem não o sabe "ler" pensa que "ele" não está ali. Presente ou ausente, ele ensina e manifesta algo. Perto ou longe, olhando ou fingindo não ver, ele está comunicando códigos que nem sempre (ou quase nunca) sabemos traduzir. O gato vê mais e vê dentro e além de nós. Relaciona-se com fluídos, auras, fantasmas amigos e opressores. O gato é médium, bruxo, alquimista e parapsicólogo. É uma chance de meditação permanente a nosso lado, a ensinar paciência, atenção, silêncio e mistério. O gato é um monge silencioso, meditativo e sábio monge, a nos devolver as perguntas medrosas esperando que encontremos o caminho na sua busca, em vez de o querer preparado, já conhecido e trilhado. O gato sempre responde com uma nova questão, remetendo-nos à pesquisa permanente do real, à busca incessante, à certeza de que cada segundo contém a possibilidade de criatividade e de novas inter-relações, infinitas, entre as coisas. O gato é uma lição diária de afeto verdadeiro e fiel. Suas manifestações são íntimas e profundas. Exigem recolhimento, entrega, atenção. Desatentos não agradam os gatos. Bulhosos os irritam. Tudo o que precise de promoção ou explicação quer afirmação. Vive do verdadeiro e não se ilude com aparências. Ninguém em toda natureza aprendeu a bastar-se (até na higiene) a si mesmo como o gato! Lição de sono e de musculação, o gato nos ensina todas as posições de respiração ioga. Ensina a dormir com entrega total e diluição recuperante no Cosmos. Ensina a espreguiçar-se com a massagem mais completa em todos os músculos, preparando-os para a ação imediata. Se os preparadores físicos aprendessem o aquecimento do gato, os jogadores reservas não levariam tanto tempo (quase 15 minutos) se aquecendo para entrar em campo. O gato sai do sono para o máximo de ação, tensão e elasticidade num segundo. Conhece o desempenho preciso e milimétrico de cada parte do seu corpo, a qual ama e preserva como a um templo. Lição de saúde sexual e sensualidade. Lição de envolvimento amoroso com dedicação integral de vários dias. Lição de organização familiar e de definição de espaço próprio e território pessoal. Lição de anatomia, equilíbrio, desempenho muscular. Lição de salto. Lição de silêncio. Lição de descanso. Lição de introversão. Lição de contato com o mistério, com o escuro, com a sombra. Lição de religiosidade sem ícones. Lição de alimentação e requinte. Lição de bom gosto e senso de oportunidade. Lição de vida, enfim, a mais completa, diária, silenciosa, educada, sem cobranças, sem veemências, sem exigências. O gato é uma chance de interiorização e sabedoria, posta pelo mistério à disposição do homem." O gato é um animal que tem muito quartzo na glândula pineal, é portanto um transmutador de energia e um animal útil para cura, pois capta a energia ruim do ambiente e transforma em energia boa, -- normalmente onde o gato deita com frequência, significa que não tem boa energia-- caso o animal comece a deitar em alguma parte de nosso corpo de forma insistente, é sinal de que aquele órgão ou membro está doente ou prestes a adoecer, pois o bicho já percebeu a energia ruim no referido órgão e então ele escolhe deitar nesta parte do corpo para limpar a energia ruim que tem ali. Observe que do mesmo jeito que o gato deita em determinado lugar, ele sai de repente, poi ele sente que já limpou a energia do local e não precisa mais dele. O amor do gato pelo dono é de desapego, pois enquanto precisa ele está por perto, quando não, ele se a afasta. No Egito dos faraós, o gato era adorado na figura da deusa Bastet, representada comumente com corpo de mulher e cabeça de gata. Esta bela deusa era o símbolo da luz, do calor e da energia. Era também o símbolo da lua, e acreditava-se que tinha o poder de fertilizar a terra e os homens, curar doenças e conduzir as almas dos mortos. Nesta época, os gatos eram considerados guardiões do outro mundo, e eram comuns em muitos amuletos. "O gato imortal existe, em algum mundo intermediário entre a vida e a morte, observando e esperando, passivo até o momento em que o espírito humano se torna livre. Então, e somente então, ele irá liderar a alma até seu repouso final."


(The Mythology Of Cats, Gerald & Loretta Hausman - da página Claire de Lune)

Ele.

Por que são necessários 100 anos pra te esquecer e apenas 1 segundo pra sentir sua falta.

(Erismar Nepomuceno)


Talvez eu não perceba, mas devo ter conseguido coisas boas dele. Ele era engraçado. Ele era esquisito. Ele dizia que eu era linda. E me fazia ter coragem. Ou melhor: fazia-me ver a coragem que há em mim.

(Fernanda Young)

Minha fé.


Essa minha Fé na vida é minha única herança.
Acordo para viver o meu sonho mais bonito.
Acordo para ser cada dia uma pessoa melhor.
Mesmo nos dias mais difíceis há uma luz que me guia nos labirintos dos meus conflitos.

E nada é mais pleno que essa esperança que acredita que o outro dia será o que sonhei a minha vida inteira. 

(Aline Telles)

Dar as costas.


Alguns nos dão as costas e vão embora. 
Outros nos dão as costas, e nos carregam quando estamos cansados.


(Rachel Carvalho)

Minha prece.




Que a minha prece seja, não para ser protegido dos perigos, mas para não ter medo de enfrentá-los.
Que a minha prece seja, não para acalmar a dor, mas para que o coração a conquiste.
Permita que na batalha da vida não procure aliados, mas as minhas próprias forças.

Permita que não implore no meu medo, ansioso por ser salvo, mas que aguarde a paciência para conquistar a minha liberdade.

(Rabindranath Tagore)

Entre tantas.



Eu sou várias! Há multidões em mim. Na mesa de minha alma sentam-se muitas, e eu sou todas elas. Há um velha, uma criança, uma sábia, uma tola. Você nunca saberá com quem está sentada ou quanto tempo permanecerá com cada uma de mim. Mas prometo que, se nos sentarmos à mesa, nesse ritual sagrado eu lhe entregarei ao menos uma das tantas que sou, e correrei os riscos de estarmos juntos no mesmo plano. Desde logo, evite ilusões: também tenho um lado mau, ruim, que tento manter preso e que quando se solta me envergonha. Não sou santa, nem exemplo, infelizmente. Entre tantas, um dia me descubro, um dia serei eu mesmo, definitivamente. Como já foi dito: ouse conquistar a ti mesmo.
(Nietzsche em “A Gaia Ciência”)

Procurando.


Está parando
De pouco em pouco
Pois já não bate
Intensamente
Como batia
Antigamente
De pouco em pouco
Está parando
Mas já não liga
Nem pensa muito
Porque parar
Agora é parte
Pois já não ama
Como amava
E agora ri
Pois não chorava
Mas vai andando
E procurando
Outro motivo
Para bater
E viver.


(Dionni Souza)

Preciso do teu riso, menino.


Esforça-te em conhecer-me um pouco mais e saiba que tudo aqui é teu. Meu riso é teu e meu desespero é imaginar tua perda. Não por não saber partir, mas por tu valeres mais à pena do que meu orgulho e minhas fraquezas. Minhas oscilações me levam ao chão e preciso do teu riso, menino. Porque tu me passas certeza, porque tu és, de fato, o que busquei em todos os cantos e olhares. E, caso tu não saibas, por ti eu estou disposta a sufocar algumas exigências e te segurar nas minhas mãos cansadas e minhas sensações agônicas de perda. Porque tu vales à pena e eu me repito isso como mantra. Porque tu és detalhe, menino, e meus dias não são belos sem tua presença. Ainda à distância, ainda que nossas diferenças nos sufoquem, tu vales à pena e por ti insisto. Do erudito à rima mais simples: só tu se encaixas aqui. Porque tu és meu desenho traçado com a firmeza plena das minhas digitais cansadas. Porque a nossa simetria me espanta e tua voz é meu coro perfeito. Porque cada traço teu me tenta e me faz querer lutar e insistir por ti. Porque tu vales à pena e por ti eu insisto. Assumo meu caos, te conto os meus porquês e te ofereço minhas insistências e minhas forças. Porque tu vales à pena e isso não é hipérbole. Menino, a ti eu peço: esforça-te. E repito: tu és para mim detalhe fundamental. Tu sabes do meu riso e tu, só tu, sabes como achá-lo em meio ao meu choro. Sem porquês ou compreensões do mundo. Nós, nós não vivemos conforme tal, e tu entendes e por isso quero-te tanto. Porque tu vales à pena, meu amor. E quando, de fato, o amor povoar meu ser, eu não vou caber em canto nenhum mais, senão em você. Os nossos cantos e choros serão sossego e lar; o nosso abrigo, o nosso nó, o nosso eterno.
Eu te espero.
Ps: ah, menino, eu fico relendo teus traços sobre minha poesia e me certifico que meu amor ainda é teu. E não, isso não foi planejado. Foi acaso.
Teu acaso com descaso fez amor em mim.
"Depois de você os outros, são só os outros."

(Voraz)

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Para que você volte pra cá.


Para que você volte pra cá
Seus olhos azuis a me mirar
Suas orações a me guiar

Minha vida era mais sorriso assim
Porque todas as flores que hoje sei
Foi você quem me ensinou

Céu, devolve meu ouro, minha felicidade
Deus, protege, ilumina e guarde a todos nós
Assim ela dizia

Jacarandá que flor seria essa,
Que linda flor se parece com você
Dama da noite que perfuma a cidade
Seu manacá lá no morro traz saudade

(Jacarandá - Michele Leal)

De nada serve.


De nada serve ao homem conquistar a Lua se acaba por perder a Terra.

(François Mauriac)

Caos criativo.


A confusão é um estado de mudança - Osho 
Disseram a Osho: Osho, eu acho que penso claramente, mas no fundo eu apenas vejo confusão. Às vezes eu penso que sei, mas descubro que nada sei. Eu apenas achava que sabia. 
Aprenda a viver com a confusão. Não tenha pressa para concluir. A confusão não é necessariamente algo errado. Não a rotule como sendo confusão. Rotular é errado. Algumas vezes um rótulo errado pode criar muitos problemas. Isso não é realmente confusão: é um estado de transição, de mudança. Você se desenraizou do velho solo e está procurando pelo novo, e entre os dois, isso acontece. Isso não é confusão, isso é apenas um hesitante estado de crescimento. Isso é crescimento e sempre que existe crescimento costuma-se rotular como confusão. Mas ao rotular como confusão, você está interpretando errado e começará a tentar resolver de algum jeito. Se você chamar isso de crescimento, então não haverá pressa em resolver. Na verdade, você terá que dar suporte a isso, pois é crescimento. Se chamar de confusão, você estará condenando e terá que encontrar uma maneira de sair disso. Não há necessidade de sair disso; aprenda a viver com isso. Aprenda a viver com todos os tipos de estados que estarão surgindo. E se algumas vezes for confusão, o que há de errado na confusão? Nos ensinaram erradamente que devemos ser absolutamente claros. Somente os tolos conseguem ser absolutamente claros, somente os tolos estão certos. A confusão é natural: ela é o caos criativo dentro de você. É somente a partir desse caos que a criatividade começa. Chame isso de caos criativo, não chame de confusão. 
(Osho em "The Sacred Yes")

Moço.


Sabe, moço, eu gosto tanto de você.
E das lembranças que tenho de nós dois, entre madrugadas jogando conversa fora, e aquele beijo de tirar o fôlego.
Mas eu esperava mais. Só que eu não te culpo por isso.
Minhas expectativas, minha culpa.
Eu só queria algumas certezas, porque ninguém é feliz vivendo só de esperanças.
Queria sim ou não. Simples assim...
Eu que tinha preguiça de fazer acontecer, achei que com você podia ser diferente. De verdade. E mais bonito.
Só queria que você me olhasse nos olhos e mostrasse que ia ficar tudo bem... 
Ensaiei tantas coisas pra te dizer. Escrevi e apaguei um milhão de palavras que talvez você nem faça questão de saber quais são...
E agora que acabou, eu me pego perguntando quais erros foram meus, quais foram seus, e na verdade, nada disso importa. Você não é mais meu (se é que foi um dia), e todo dia eu acordo com saudade.
Queria que fosse diferente. Queria dizer tudo que sinto e que ainda me aperta o peito.
Quem sabe um dia, quando eu parar de sonhar com o seu sorriso, eu te procure pra saber como você está, e te contar o quanto foi difícil superar a falta que o seu abraço faz.

Só espero que estejas feliz. 
E que me esqueça devagarinho...


Beijos da (ainda) tua,

(Karla Tabalipa)

Mania Besta.


Seja livre de tudo que não te ilumina.




Leia. Leia sempre! Alimente sua alma com aquilo que é fundamental. Leia poesia. Leia romances. Veja pássaros. Admire borboletas. Cultive flores. Ao final terá um jardim bonito.
Respeite. Respeite os mais velhos. Respeite os jovens. Os sábios. As crianças. Todos, precisamos de respeito. 
Quando estiver triste, cante. Quando estiver feliz, cante mais. Quando nada acontecer, cante também. Esse será um esforço diário para fazer de sua vida uma bela melodia.
Tente. E mesmo quando estiver cansado, tente. Um dia por teimosia, seus sonhos acontecerão.
Quando for necessário, chore. Sozinho ou acompanhado, chore. Lágrimas podem ser águas abundantes lavando a nossa alma. Não tenha medo de dizer: não sei, desculpe, perdoe-me, ajuda-me. Alguém irá ouvir e importar-se com isso. 
Demonstre emoções. Não guarde mágoas.
Caminhe com os fortes. 
Perdoe ao perceber que sua fragilidade foi ferida. Um dia irá ferir alguém e precisará desse perdão. 
Seja livre de tudo que não te ilumina. 


(Ita Portugal)

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Se você soubesse.


Se você soubesse a quantidade de coisas boas que eu sentia quando o seu cheiro e a sua mão estavam perto de mim. Era como se o mundo lá fora fosse um mero expectador da nossa vida aqui dentro. Eu serenava ao teu lado. Se você soubesse o que acontecia quando o seu sorriso olhava pra mim. Era como se todas as estrelas encontrassem a mesma sintonia do brilho. Era como se todas elas resolvessem iluminar o nosso caminho e abençoar essa "coisa" bonita que a gente sentia um pelo outro. Sei, é que os momentos mais bonitos dessa passagem que uns chamam de Vida e outros de Sobrevivência, era ao teu lado que eu estava (Ou queria estar). Sendo quem eu gostaria. Se você soubesse o quanto eu transbordei ao escrever essas linhas. Mas você nunca saberá.
(Bibiana Benites)

Um dos lugares mais bonitos.

Daqui a 50 anos eu ainda vou saber seu nome e vou me lembrar de todas as vezes que você me fez sorrir. Na minha memória, tão congestionada - e no meu coração - tão cheio de marcas e poços - você ocupa um dos lugares mais bonitos. 

(Caio Fernando Abreu)

A culpa.

Desculpe quando a culpa for do outro, desculpe-se quando a culpa for sua e, sobretudo, aprenda a perceber quando você está sendo impelido a assumir uma culpa que originalmente não tem.
(Brenna Herzog)

Oração a mim mesmo.


Que eu me permita
olhar e escutar e sonhar mais.
Falar menos.
Chorar menos.
Ver nos olhos de quem me vê
a admiração que eles me têm
e não a inveja que penso que têm.
Escutar com meus ouvidos atentos
e minha boca estática,
as palavras que se fazem gestos
e os gestos que se fazem palavras.
Permitir sempre
escutar aquilo que eu não tenho
me permitido escutar.
Saber realizar
os sonhos que nascem em mim
e por mim
e comigo morrem por eu não os saber sonhos.
Então, que eu possa viver
os sonhos possíveis
e os impossíveis;
aqueles que morrem
e ressuscitam
a cada novo fruto,
a cada nova flor,
a cada novo calor,
a cada nova geada,
a cada novo dia.
Que eu possa sonhar o ar,
sonhar o mar,
sonhar o amar,
sonhar o amalgamar.
Que eu me permita o silêncio das formas,
dos movimentos,
do impossível,
da imensidão de toda profundeza.
Que eu possa substituir minhas palavras
pelo toque,
pelo sentir,
pelo compreender,
pelo segredo das coisas mais raras,
pela oração mental
(aquela que a alma cria e
que só ela, alma, ouve
e só ela, alma, responde).
Que eu saiba dimensionar o calor,
experimentar a forma,
vislumbrar as curvas,
desenhar as retas,
e aprender o sabor da exuberância
que se mostra
nas pequenas manifestações
da vida.
Que eu saiba reproduzir na alma a imagem
que entra pelos meus olhos
fazendo-me parte suprema da natureza,
criando-me
e recriando-me a cada instante.
Que eu possa chorar menos de tristeza
e mais de contentamentos.
Que meu choro não seja em vão,
que em vão não sejam
minhas dúvidas.
Que eu saiba perder meus caminhos
mas saiba recuperar meus destinos
com dignidade.
Que eu não tenha medo de nada,
principalmente de mim mesmo:
- Que eu não tenha medo de meus medos!
Que eu adormeça
toda vez que for derramar lágrimas inúteis,
e desperte com o coração cheio de esperanças.
Que eu faça de mim um homem sereno
dentro de minha própria turbulência,
sábio dentro de meus limites
pequenos e inexatos,
humilde diante de minhas grandezas
tolas e ingênuas
(que eu me mostre o quanto são pequenas
minhas grandezas
e o quanto é valiosa
minha pequenez).
Que eu me permita ser mãe,
ser pai,
e, se for preciso,
ser órfão.
Permita-me eu ensinar o pouco que sei
e aprender o muito que não sei,
traduzir o que os mestres ensinaram
e compreender a alegria
com que os simples traduzem suas experiências;
respeitar incondicionalmente
o ser;
o ser por si só,
por mais nada que possa ter além de sua essência,
auxiliar a solidão de quem chegou,
render-me ao motivo de quem partiu
e aceitar a saudade de quem ficou.
Que eu possa amar
e ser amado.
Que eu possa amar mesmo sem ser amado,
fazer gentilezas quando recebo carinhos;
fazer carinhos mesmo quando não recebo
gentilezas.
Que eu jamais fique só,
mesmo quando
eu me queira só.
Amém.

(Oswaldo Antônio Begiato)