sábado, 16 de fevereiro de 2013

BR, Salvem os loucos de todas as espécies.



Outra noite eu estava viajando pela Fernão Dias quando resolvi parar em um posto de gasolina - aqueles que tem um pouco de tudo, restaurante, vendinha, etc – ao terminar meu pitstop e deslocar-me até o carro, escutei bem baixinho o som de uma gaita e mais do que depressa tentei identificar a origem, parece que vinha de um beco escuro entre o restaurante e a borracharia, não contive a minha curiosidade e desprezando todos os riscos resolvi entrar no tal beco.
Percebi o semblante de alguém sentado ao chão, e para evitar qualquer surpresa foi logo me anunciando:
_Opa!
A pessoa virou-se para a minha direção e prontamente respondeu:
_ Salvem os loucos de todas as espécies, malucos de todos os gêneros!
Confesso que quis sair dali o mais rápido o possível, no entanto já não dava mais tempo, quando menos percebi estava de frente com um senhor idoso, longas barbas brancas, cabelos compridos, usando uma espécie de jaqueta feita de saco, nas costas uma mochila militar verde oliva, o senhor ficava me olhando de cima em baixo , e assim como um passe de mágica ele quebrou todo esse clima desagradável esticando o braço apontando para uma muretinha:
_ Bora sentar e dar um dedinho de prosa?!
Convite irrecusável este, já fui logo perguntando qual era o nome do senhor, ele respondeu algo que eu entendi como Berelê, mas não era isto era simplesmente BR, isso mesmo BR em alusão às estradas que cortam o Brasil de fora a fora.
Conversamos sobre todos os tipos de assunto, o BR já havia passado por todos os estados brasileiros, e até outros países “Argentina, Venezuela, Paraguai, etc” sempre de carona e na maioria das vezes caminhando mesmo, segundo ele “Sou movido pelo pó da estrada, esse é o meu combustível, a razão do meu viver, ela gruda em meu rosto, ah o pó da estrada!” Confesso que logo lembrei do Sá, Rodrix e Guarabira, e suas majestosas canções de estrada.
Me despedi do BR com aquele pesar no coração, um senhor de idade, sozinho largado no mundo, todas as suas posses dentro de uma velha mochila e o mais impressionante, feliz, satisfeito, não escutei uma reclamação sequer durante nossa conversa de mais de 2 horas, e eu com todas as facilidades do mundo moderno me senti infinitamente involuído e pobre de espírito.
Quando estava indo embora escutei um grito:
 _Essa é pra você Doutor!
Ao fundo começou a tocar na gaita a música Free Bird do Lynyrd Skynyrd, velho danado, prestou a atenção quando eu disse que gostava muito de Skynyrd.

(Baldur Lux)

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