segunda-feira, 24 de março de 2014

Invictus.

Noite à fora que me cobre
Negra como breu de ponta a ponta
Eu agradeço, a seja quais forem os Deuses
Por minha alma inconquistável.

Nas cruéis garras da circunstância
Eu não fiz cara feia ou sequer gritei.
Sob as pauladas da sorte
Minha cabeça está sangrenta, mas não abaixada.

Além desse lugar de raiva e lágrimas
É iminente o horror da escuridão
E ainda o avançar dos anos
Encontra, e deve encontrar, sem medo.

Não importa o quão estreito seja o portão,
O quão carregado com castigos esteja o pergaminho,
Eu sou o mestre do meu destino;
Eu sou o capitão da minha alma.



(William Ernest Henley)

quarta-feira, 19 de março de 2014

Soneto da minha vida.




Vida, vida minha,
por que tão sozinha,
cercada de linhas
que não me cruzam?

Vida, vida minha,
por que não caminhas
por bandeirinhas
mais coloridas?

Vida, vida minha,
por que a avezinha
que voava caiu dura?

Vida, vida minha,
quem te segura
assim sozinha?

(Lumiere)

Carência.



Gente carente é um porre. Gente carente é um saco. O mundo é carente, eu sou carente, você é carente e toda essa gente que nos olha de relance é carente.
Estamos forrados pela película do quero mais um bocado de carinho, preciso de mais um abraço, de um esforço dobrado do outro pra ser feliz. E isso nos torna feliz? Não, não, é tudo momentâneo, exigiremos mais do outro a cada dia, mesmo com uma dose cavalar de cuidados, ainda assim, seremos carentes.
Eu, você e a sociedade que nos vê com olhos de criança abandonada, precisamos da mão amiga, do olhar acolhedor, da batidinha nas costas, mesmo que seja um ato falso, vindo de alguém com caráter duvidoso. 
Forjamos um riso, engolimos a lágrima que dilacera por dentro, para nos mostrar interessantes e sermos aceitos pela plateia que nos assiste por entre as lentes do dia a dia. 
Prolongamos laços com o desconhecido, buscamos o apoio daqueles que parecem fortes, mas nada disso supre o buraco interno nosso de cada dia. O lance é bem complexo, achamos que somos espertos demais, mas nossa burrice atingiu o nível hard da carência. 
Enrustidos pela ganância de sermos seres apaixonantes, quando, na verdade, somos seres milimetricamente medíocres, esperando um riso, ou uma palavra de verdade, acabamos por alimentar essa roda que nunca para de girar. 
A todo instante mais um carente entra nesta roda. Brincando de girar, talvez alguém ainda encontre o verdadeiro significado de se bastar.
Quando a gente se basta, nenhuma carência encontra raiz pra se infiltrar em nossa vida. E digo mais, não quero nenhum carente de plantão fazendo bico ao finalizar a leitura. Isso vale pra mim também.


(Ju Fuzetto)

terça-feira, 18 de março de 2014

Braços vazios.


Seja forte, siga em frente, respire fundo, e perceba a importância de se ter braços vazios, pra que se possa ter espaço em si para abraçar o mundo.

(Marla de Queiroz)

Coragem.



A todos os ventos eu peço coragem.
A cada estrela, estrada.
Ao mar que não morre nunca, eu peço coragem.
E ao sol e à lua e a todo firmamento.
A cada pássaro, a cada pedra, a cada bicho da terra e do ar.
Peço coragem a tudo o que vive agora e ainda viverá.
Coragem para cavalgar os dias, navegar nas horas
E a cada minuto e segundo sonhar.


(Roseana Murray)

domingo, 16 de março de 2014

Sinto muito.



Essa minha secura
essa falta de sentimento
não tem ninguém que segure,
vem de dentro.
Vem da zona escura
donde vem o que sinto.
Sinto muito,
sentir é muito lento.

(Paulo Leminski)

sábado, 15 de março de 2014

Infinito particular.



Eis o melhor e o pior de mim
O meu termômetro, o meu quilate
Vem, cara, me retrate
Não é impossível
Eu não sou difícil de ler
Faça sua parte
Eu sou daqui, eu não sou de Marte
Vem, cara, me repara
Não vê, tá na cara, sou porta bandeira de mim
Só não se perca ao entrar
No meu infinito particular
Em alguns instantes
Sou pequenina e também gigante
Vem, cara, se declara
O mundo é portátil
Pra quem não tem nada a esconder
Olha minha cara
É só mistério, não tem segredo
Vem cá, não tenha medo
A água é potável
Daqui você pode beber
Só não se perca ao entrar
No meu infinito particular


(Marisa Monte)

Das coisas que teremos para sempre.


Ninguém pode possuir um pôr-do-sol como aquele que se viu uma tarde. Assim como ninguém pode possuir uma tarde de chuva a bater na vidraça, ou a serenidade que uma criança espalha em seu redor enquanto dorme, ou o momento mágico das ondas a rebentar nas rochas. Ninguém pode possuir o que de mais belo existe na Terra - mas podemos conhecer e amar. Com estes momentos o verdadeiro Deus mostra-se aos Homens. Não somos donos do sol, nem da tarde, das ondas ou mesmo da visão de Deus - porque não podemos possuir-nos a nós próprios. As pessoas dão flores como presente porque é nas flores que está o verdadeiro sentido do Amor. Quem tentar possuir uma flor, verá a sua beleza murchar. Mas quem apenas a olhar num campo, permanecerá para sempre com ela, porque ela combina com a tarde, com o pôr-do-sol, com o cheiro da terra molhada e com as nuvens no horizonte.
Isso aprendi contigo, nunca serás meu; por isso ter-te-ei para sempre.
Lembrar-me-ei para sempre que o Amor é liberdade.
Lembrar-me-ei de ti toda a vida, e talvez tu te lembres de mim.

Assim como lembrarei aquele entardecer, as janelas com chuva e das coisas que teremos para sempre porque não podemos possuí-las.
(Paulo Coelho em "Brida")

Ouvir estrelas.


  "Ora, direis ouvir estrelas! Certo
  Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
  Que, para ouví-las, muitas vezes desperto
  E abro as janelas, pálido de espanto...
 
  E conversamos toda a noite, enquanto
  A via Láctea, como um pálio aberto,
  Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
  Inda as procuro pelo céu deserto.
 
  Direis agora! "Tresloucado amigo!
  Que conversas com elas? Que sentido
  Tem o que dizem, quando estão contigo?"
 
  E eu vos direi: "Amai para entendê-las:
  Pois só quem ama pode ter ouvido

  Capaz de ouvir e de entender estrelas".

(Olavo Bilac)

Há muita beleza.


Então tu chegas e cuidas de minhas chagas, cuido das tuas. Nos amamos em uivos, em dores e em apelo. Sei de nossa miséria, de nosso recolher de cacos, de nossos cortes, dos desenhos no chão feitos daquilo que vomitamos ontem. Vejo uma estrela de um lado, do outro um cavalo branco, gosto de cavalos brancos, têm coisas tuas, minhas e outras que não distingo, meio infinito. Claro que tem a aquela coisa verde, aquele cheiro, aquele quente. Acontece que sei que há muita beleza em tudo que é feio.

(Tiago Fabris Rendelli) 

Florecer.



Florescer exige passar por todas as estações. 

(Ita Portugal)

quinta-feira, 13 de março de 2014

Deus me cuida.



Linda é a certeza de que ainda que a vida seja difícil, Deus me cuida de pertinho.
Desde as coisas mais simples até aquelas que parecem impossíveis.

(Sirlei L. Passolongo)

A menina e o pássaro.


Era uma vez uma menina que tinha um pássaro como seu melhor amigo.
Ele era um pássaro diferente de todos os demais: era encantado.

Os pássaros comuns, se a porta da gaiola ficar aberta, vão-se embora para nunca mais voltar. Mas o pássaro da menina voava livre e vinha quando sentia saudades… As suas penas também eram diferentes. Mudavam de cor. Eram sempre pintadas pelas cores dos lugares estranhos e longínquos por onde voava. Certa vez voltou totalmente branco, cauda enorme de plumas fofas como o algodão…

— Menina, eu venho das montanhas frias e cobertas de neve, tudo maravilhosamente branco e puro, brilhando sob a luz da lua, nada se ouvindo a não ser o barulho do vento que faz estalar o gelo que cobre os galhos das árvores. Trouxe, nas minhas penas, um pouco do encanto que vi, como presente para ti…

E, assim, ele começava a cantar as canções e as histórias daquele mundo que a menina nunca vira. Até que ela adormecia, e sonhava que voava nas asas do pássaro.

Outra vez voltou vermelho como o fogo, penacho dourado na cabeça.

— Venho de uma terra queimada pela seca, terra quente e sem água, onde os grandes, os pequenos e os bichos sofrem a tristeza do sol que não se apaga. As minhas penas ficaram como aquele sol, e eu trago as canções tristes daqueles que gostariam de ouvir o barulho das cachoeiras e ver a beleza dos campos verdes.
E de novo começavam as histórias. A menina amava aquele pássaro e podia ouvi-lo sem parar, dia após dia. E o pássaro amava a menina, e por isto voltava sempre.
Mas chegava a hora da tristeza.
— Tenho de ir — dizia.
— Por favor, não vás. Fico tão triste. Terei saudades. E vou chorar…— E a menina fazia beicinho…
— Eu também terei saudades — dizia o pássaro. — Eu também vou chorar. Mas vou contar-te um segredo: as plantas precisam da água, nós precisamos do ar, os peixes precisam dos rios… E o meu encanto precisa da saudade. É aquela tristeza, na espera do regresso, que faz com que as minhas penas fiquem bonitas. Se eu não for, não haverá saudade. Eu deixarei de ser um pássaro encantado. E tu deixarás de me amar.
Assim, ele partiu. A menina, sozinha, chorava à noite de tristeza, imaginando se o pássaro voltaria. E foi numa dessas noites que ela teve uma ideia malvada: “Se eu o prender numa gaiola, ele nunca mais partirá. Será meu para sempre. Não mais terei saudades. E ficarei feliz…”
Com estes pensamentos, comprou uma linda gaiola, de prata, própria para um pássaro que se ama muito. E ficou à espera. Ele chegou finalmente, maravilhoso nas suas novas cores, com histórias diferentes para contar. Cansado da viagem, adormeceu. Foi então que a menina, cuidadosamente, para que ele não acordasse, o prendeu na gaiola, para que ele nunca mais a abandonasse. E adormeceu feliz.
Acordou de madrugada, com um gemido do pássaro…
— Ah! menina… O que é que fizeste? Quebrou-se o encanto. As minhas penas ficarão feias e eu esquecer-me-ei das histórias… Sem a saudade, o amor ir-se-á embora…
A menina não acreditou. Pensou que ele acabaria por se acostumar. Mas não foi isto que aconteceu. O tempo ia passando, e o pássaro ficando diferente. Caíram as plumas e o penacho. Os vermelhos, os verdes e os azuis das penas transformaram-se num cinzento triste. E veio o silêncio: deixou de cantar.
Também a menina se entristeceu. Não, aquele não era o pássaro que ela amava. E de noite ela chorava, pensando naquilo que havia feito ao seu amigo…
Até que não aguentou mais.
Abriu a porta da gaiola.
— Podes ir, pássaro. Volta quando quiseres…
— Obrigado, menina. Tenho de partir. E preciso de partir para que a saudade chegue e eu tenha vontade de voltar. Longe, na saudade, muitas coisas boas começam a crescer dentro de nós. Sempre que ficares com saudade, eu ficarei mais bonito. Sempre que eu ficar com saudade, tu ficarás mais bonita. E enfeitar-te-ás, para me esperar…
E partiu. Voou que voou, para lugares distantes. A menina contava os dias, e a cada dia que passava a saudade crescia.
— Que bom — pensava ela — o meu pássaro está a ficar encantado de novo…
E ela ia ao guarda-roupa, escolher os vestidos, e penteava os cabelos e colocava uma flor na jarra.
— Nunca se sabe. Pode ser que ele volte hoje…
Sem que ela se apercebesse, o mundo inteiro foi ficando encantado, como o pássaro. Porque ele deveria estar a voar de qualquer lado e de qualquer lado haveria de voltar. Ah!
Mundo maravilhoso, que guarda em algum lugar secreto o pássaro encantado que se ama…
E foi assim que ela, cada noite, ia para a cama, triste de saudade, mas feliz com o pensamento: “Quem sabe se ele voltará amanhã….”
E assim dormia e sonhava com a alegria do reencontro.

(Rubem Alves)


quarta-feira, 12 de março de 2014

Do mais puro amor.



Eles viviam por aí. E eram costurados de solidão e desamparo. Tinham olhos apedrejados por exuberâncias e por muita luz. Construídos por vontades desesperadas, assim, cães raivosos na espera do afago, a mordida contaminada na carne da vida que lhes era negada. Dividiam-se por becos sujos numa ilusão opaca de desbravar o abandono e sentiam-se emocionados quando o sol morria no colo das montanhas. Criaturas completamente ternas, que choravam por uma pata de formiga separada de seu corpo ou pelo afogamento de um rio em suas areias. Comiam restos, ansiavam na penumbra, precipitavam-se na colheita e deixavam o parasita matar a flor por respeito à vida. E no fim nunca desapareciam porque nunca haviam chegado a existir. Eram como o vento, como a febre, como a água, como a chaga, como o ontem.

Eram feitos do mais puro amor.

(Tiago Fabris Rendelli)

Prometo.



Quando as lágrimas terminarem de molhar teu corpo, te segurarei em meus braços para cuidar de feridas ancestrais. Direi palavras doces e lentas para limpar o pó de tanta amargura. Juntos iremos para esse lugar distante, onde sempre exista luz, esperanças de sol e janelas constantemente abertas. 

Prometo.

(Tiago Fabris Rendelli)

domingo, 9 de março de 2014

E pra ela? Por quem ela espera?


Estranho é que ela já apanhou demais da vida. Essa moça tem relacionamentos estranhos, acho que ela está condicionada a ser uma pessoa substituta. E quem não é? A gente sempre acha que é especial na vida de alguém, mas o que te garante que você não está somente servindo pra tapar buracos, servindo de curativo pra feridas antigas? A moça... ela amou muito, ama, e amará, e muito se machuca também. Porque amar também é isso não? Dar o seu melhor para curar outra pessoa de todos os golpes, até que ela fique bem e te deixe para trás, fraco e sangrando. Daí você espera por alguém que venha te curar.
As vezes esse alguém aparece, outras vezes não.
E pra ela? Por quem ela espera?

(Caio Fernando Abreu)

A moça.


E assim, aos poucos ela se esquece dos socos, pontapés, golpes baixos que a vida lhe deu, lhe dará. A moça que não era Capitu, mas também tem olhos de ressaca, levanta-se e segue em frente. Não por ser forte, e sim pelo contrário... Por saber que é fraca o bastante para não conseguir ter ódio no coração, na sua alma, na sua essência (...).

(Caio Fernando Abreu)

sábado, 8 de março de 2014

Vamos!


Vamos espalhar poesia, porque de maldade o mundo já está cheio. Vamos plantar ternura, nos gestos e nos olhares. Vamos plantar amor, amores inteiros para preencher vazios. Precisamos de mais inteireza nas palavras, de mais sinceridade nos sentimentos e certezas nas vontades. Ninguém é brincadeira, se estamos aqui nesse mundo tão vasto e desconhecido já temos nosso valor. Vamos ser com os outros, o que nós gostaríamos que os outros fossem conosco. Plantar flor para colher amor. Plantar sorrisos e colher afetos. Vamos amenizar nossa dor. Ver sol onde há chuva. Pássaros onde há nuvens. Sorriso onde há dor. Vamos colorir o mundo, vamos nos redesenhar, vamos renascer como arco-íris após as tempestades e permanecer leves como aqueles pássaros voando no céu azul. 

(Rayana Krambeck)

08 de Março - Dia da Mulher.



Jamais permitas que algum homem a escravize, nasceste livre para amar e não para ser escrava. Jamais permitas que teu coração sofra em nome do amor. Amar é um ato de felicidade, por que sofrer? 
Jamais permitas que teus olhos derramem lágrimas por alguém que jamais fará você sorrir! 
Jamais permitas que o uso do teu próprio corpo seja cerceado. O corpo é moradia do espírito, por que mantê-lo aprisionado?
Jamais te permitas ficar horas esperando por alguém que jamais virá, mesmo tendo prometido.
Jamais permitas que teu nome seja pronunciado em vão por um homem cujo nome tu sequer sabes!
Jamais permitas que teu tempo, corpo e coração seja desperdiçado por alguém que nunca terá tempo para ti.
Jamais permitas ouvir gritos em teu ouvido. O Amor é o único que pode falar mais alto!
Jamais permitas que paixões desenfreadas te transportem de um mundo real para outro que nunca existiu.
Jamais permitas que os outros sonhos se misturem aos seus, fazendo-os virar um grande pesadelo.
Jamais acredites que alguém possa voltar quando nunca esteve presente.
Jamais permitas que teu útero gere um filho que nunca terá um pai.
Jamais permitas viver na dependência de um homem como se tu tivesses nascido inválida.
Jamais permitas que a dor, a tristeza, a solidão, o ódio, o ressentimento, o ciúme, o remorso e tudo aquilo que possa tirar os brilho de teus olhos a dominem, fazendo arrefecer a força que existe dentro de ti.
E, sobretudo, jamais permita-se perder a dignidade de ser mulher!

(Código de honra da Mulher Celta)

Explosão interna.


Eu quero mesmo é que tudo exploda. E que seja luminosa, a explosão, que ecoe pelos quarteirões e faça tremer teus vidros, quebrar tuas janelas. Que perturbe teu sono e te faça ir pra rua pra ver o que aconteceu. Você não vai me encontrar lá. Eu não sou o piloto. Não sou o passageiro. Não sou o pedestre. Eu sou o acidente, e eu sou grave.

(Lucas Silveira)

Me encante.


Me encante da maneira que você quiser, como você souber.
Me encante, para que eu possa me dar.

Me encante nos mínimos detalhes.
Saiba me sorrir: aquele sorriso malicioso,
Gostoso, inocente e carente.

Me encante com suas mãos,
Gesticule quando for preciso.
Me toque, quero correr esse risco.
Me acarinhe se quiser.
Vou fingir que não entendo,
Que nem queria esse momento.

Me encante com seus olhos.
Me olhe profundo, mas só por um segundo.
Depois desvie o seu olhar.
Como se o meu olhar,
Não tivesse conseguido te encantar.

E então, volte a me fitar.
Tão profundamente, que eu fique perdido.
Sem saber o que falar.

Me encante com suas palavras.
Me fale dos seus sonhos, dos seus prazeres.
Me conte segredos, sem medos,
E depois me diga o quanto te encantei.

Me encante com serenidade.
Mas não se esqueça também,
Que tem que ser com simplicidade,
Não pode haver maldade.

Me encante com uma certa calma,
Sem pressa. Tente entender a minha alma.
Me encante como você fez com o sua primeira namorada.
Sem subterfúgios, sem cálculos, sem dúvidas, com certeza.

Me encante na calada da madrugada,
Na luz do sol ou embaixo da chuva.
Me encante sem dizer nada, ou até dizendo tudo.
Sorrindo ou chorando. Triste ou alegre.
Mas, me encante de verdade, com vontade.

Que depois, eu te confesso que me apaixonei,
E prometo te encantar por todos os dias.
Pelo resto das nossas vidas!

(Pablo Neruda)

sexta-feira, 7 de março de 2014

Nascido desse jeito.



Volta e meia conheço algumas pessoas e me uno à suas histórias como se fossem um livro que despertou-me o tesão de devorá-lo. Mas logo o livro termina e o que guardo são as suas histórias e a compreensão de mundo que ele me deixou. E como um bom livro, deixo-o guardado no meu criado-mudo rente à cama, para sempre que possível, lembrar de como foi gostoso lê-lo e devorar suas páginas repletas de exclamações alegres. E talvez, eu tenha nascido desse jeito, com vontade de caminhar sozinho pelo mundo, mas sempre ao lado de pessoas inéditas que queiram trocar beijos, abraços e histórias.

(Frederico Elboni)

O amor da vida de alguém.

Um dia serás o amor da vida de alguém, do jeitinho que tu é.
Falta tu.
 Acorde hoje e repita: “eu sou bonita”.


(Gabito Nunes)

Tempo da infelicidade.


Humilha teu coração, espera com paciência
Dá ouvidos e acolhe as palavras de sabedoria
não te perturbes no tempo da infelicidade.
Aceita tudo o que te acontecer.
Põe tua confiança em Deus e Ele te salvará!
  

(Eclesiástico 2)

Abrir mão.


Mas é preciso escolher. Porque o tempo foge. Não há tempo para tudo. Não poderei escutar todas as músicas que desejo, não poderei ler todos os livros que desejo, não poderei abraçar todas as pessoas que desejo. É necessário aprender a arte de “abrir mão” – a fim de nos dedicarmos àquilo que é essencial.

(Rubem Alves)

Gigante universo.


Eu nasci pra ver o mundo, explorar novas culturas, viajar pelas estrelas e descansar ao amanhecer. 
(...) quero os perigos e as belezas desse gigante universo!


(Álvaro Félix)

Sou excesso.


Eu sou excesso, sou drama, sou amor, sou complicada. Eu não sei me entregar pela metade, é tudo ou nada. Meio termo não me cabe. Eu não sei fingir sentimentos, se eu gosto, eu cuido. Se eu não gosto, não forço simpatia. Pareço insuportável, mas acredite, tem gente que diz me amar!


(Tati Bernardi)

quinta-feira, 6 de março de 2014

Conclua ciclos.


Conclua ciclos, faça o que tem que fazer. Não deixe nada inacabado dentro de si mesmo. Recomece e lembre-se: Só tentar não basta. Acreditar é preciso. É essencial.

(Juliane Rodrigues)

Me perdoei.


Não me culpo, não me cobro e nem me julgo mais. De hoje em diante fiz as pazes comigo. Eu me perdoei.


(Bibiana Benites)

Demoras.



Já ofereci pele, saliva, ânsia, brilho, doçura, filosofia e batimentos cardíacos. Já dei oceanos, sol, estrelas, poemas, canções, primaveras, invernos enroscados e quentinhos com romances embrulhados em papel luminoso. Declarei minhas fraquezas, lerdezas e certezas. Fiz vigília, abracei quarteirões, enchi a cara de vodca, o coração de vento e anexei amor. 
Fiz todas as porcarias. Agora é tarde. Demoras me causam calafrios. 
Desembarquei em outra ilha. Estou na maioridade sentimental. 

(Ita Portugal)